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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, compareceu nesta quarta-feira, 28, a uma comissão no Senado para explicar a operação americana a Caracas em 3 de janeiro, que levou à queda e prisão do ditador Nicolás Maduro. Rubio afirmou que o governo de Donald Trump “não pretende nem espera ter que tomar qualquer medida militar na Venezuela em nenhum momento”. Ele, no entanto, advertiu que ainda há “um longo caminho a percorrer” para estabilizar o país, embora a situação esteja melhor do que “se Maduro ainda estivesse lá”.
Antes de ser questionado por senadores, o chefe da diplomacia americana apresentou argumentos em favor da operação contra Maduro. Como parte das justificativas, ele disse que “tínhamos, em nosso hemisfério, um regime operado por um narcotraficante indiciado que se tornou uma base de operações para praticamente todos os concorrentes, adversários e inimigos do mundo”.
“Para o Irã, seu principal ponto de operação no Hemisfério Ocidental era a Venezuela. Para a Rússia, sua principal base de operações no Hemisfério Ocidental, juntamente com Cuba e Nicarágua, era a Venezuela. No caso da China, o país recebia petróleo com um enorme desconto – cerca de US$ 20 por barril – e nem sequer pagava por ele. Estava sendo usado para quitar dívidas que lhe eram devidas”, continuou Rubio.
“Este é o petróleo do povo venezuelano, e estava sendo entregue aos chineses como moeda de troca com um desconto de 20% – em alguns casos, US$ 20 por barril. E assim, tínhamos basicamente três de nossos principais oponentes no mundo operando a partir do nosso hemisfério, naquele ponto”, acrescentou.
O secretário também indicou que a Venezuela era “um lugar onde existia um regime de narcotráfico que cooperava abertamente com as FARC, o ELN e outras organizações de tráfico de drogas, utilizando seu território nacional” e “representava um enorme risco estratégico para os Estados Unidos – não do outro lado do mundo, não em outro continente, mas no hemisfério em que todos vivemos”. Ele afirmou que “era uma situação insustentável que precisava ser resolvida”, acrescentando: “Agora a questão é o que acontecerá daqui para frente”.
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‘Venezuela livre, justa, próspera e amigável’
Rubio indicou que o objetivo dos EUA é alcançar “uma Venezuela livre, justa, próspera e amigável”, mas advertiu que isso não será possível “em três semanas” e que “vai levar algum tempo”. Ele também revelou que, no caminho para a estabilização do país, autoridades americanas tiveram “conversas diretas e honestas – respeitosas, mas muito diretas e honestas – com as pessoas que hoje controlam os principais elementos daquele país, ou seja, as forças de segurança, o aparato governamental, etc.”
Ele também abordou o acordo sobre petróleo firmado com o governo Rodríguez, definido por ele como “um mecanismo de curto prazo” e “temporário” para atender “as necessidades do povo venezuelano”. Rubio destacou, ainda, que “seus recursos naturais permitirão que a Venezuela seja estável e próspera no futuro”.
“E então criamos – o que esperamos fazer é – a transição para um mecanismo que permita que o petróleo seja vendido de forma normal, uma indústria petrolífera normal – não uma dominada por apadrinhados, não uma dominada por corrupção”, disse. “Nesse sentido, as autoridades locais merecem reconhecimento. Elas aprovaram uma nova lei sobre hidrocarbonetos que basicamente elimina muitas das restrições da era Chávez ao investimento privado na indústria petrolífera.”
Rubio também frisou sobre a importância de “começar a criar espaço para que diferentes vozes dentro da política venezuelana tenham a oportunidade de se expressar”, apelando pela libertação dos presos políticos. Ele admitiu que ainda há “um longo caminho a percorrer”, mas afirmou que os EUA e a Venezuela estão “fazendo um progresso bom e decente”.
“É o melhor plano, e certamente estamos em uma situação melhor hoje na Venezuela do que estávamos há quatro semanas. E acho, espero e acredito que estaremos em uma situação melhor daqui a três meses, seis meses, nove meses do que estaríamos se Maduro ainda estivesse lá”, concluiu o secretário de Estado.