No coração da floresta amazônica, a Petrobras desenvolve uma operação que busca equilibrar dois mundos frequentemente vistos como opostos: a extração de petróleo e gás com a preservação ambiental.

A 650 quilômetros de Manaus, no município de Coari (AM), está localizada a base de Urucu, onde está a maior reserva terrestre de petróleo e gás natural do Brasil.

Desde que foi descoberta, em 1986, a área vem sendo explorada com rígidos protocolos ambientais — e agora, a Petrobras se prepara para um novo salto. A empresa planeja perfurar 22 novos poços a partir de 2026, ampliando a produção no campo da Bacia do Solimões.

Esse avanço ocorre sob um compromisso firme com a conservação, segundo a Petrobras. A empresa afirma que apenas 2% da área total da concessão é ocupada por suas operações, enquanto os outros 98% seguem preservados.

Não há estradas para chegar ao local, e todo o transporte é feito por aviões e balsas, justamente para evitar a criação de novos acessos ou ocupações na floresta.

A produção de Urucu representa 3,5% do consumo diário de petróleo no Brasil, com 105 mil barris de óleo equivalente por dia. O campo também responde por 13,5 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente, que ajuda a gerar 65% da energia elétrica de Manaus. Já o gás de cozinha atende as necessidades do Norte e parte do Nordeste, com cerca de 80 mil botijões abastecidos por dia.

Uma das ações em desenvolvimento é a instalação de sistemas de energia fotovoltaica para o funcionamento dos poços — alguns tão isolados que só é possível chegar a eles de helicóptero.

Urucu em si é autossuficiente em energia, o que dispensa linhas de transmissão que tenham de cortar a floresta, por exemplo.

O processo de produção é altamente controlado e automatizado. Centenas de sensores, válvulas e máquinas são monitorados em tempo real por técnicos na base, que opera 24 horas por dia.

A estrutura conta ainda com uma complexa rede de dutos: o gás natural segue por um gasoduto de 663 km até Manaus. O óleo e o gás de cozinha são transportados também por outros dutos até Coari, de onde são escoados por balsas e navios.

Vida isolada, mas sustentável

Mais de mil trabalhadores vivem em Urucu em regime de escala, passando 14 dias na base e 21 dias em casa. Para amenizar o isolamento e suprir quase todas as necessidades que surgirem, o local conta com restaurantes, alojamento, ambulatório, farmácia, academia, salão de jogos, biblioteca e quadras de esporte, por exemplo.

Além das condições de trabalho, há também uma preocupação crescente com os impactos deixados pela própria operação. Sempre que um poço é desativado, a área é reflorestada com espécies nativas, com a ajuda de um viveiro instalado na base. Mais de 1,5 milhão de mudas já foram plantadas para revitalizar antigas áreas de produção, até mesmo alojamentos.

O lixo orgânico da base é transformado em adubo no próprio local, e o restante dos resíduos segue para tratamento em Manaus. Parte da água usada também consegue ser reaproveitada.

Rumo ao carbono zero

A Petrobras quer neutralizar suas emissões operacionais de gases de efeito estufa até 2050. A ambição é de emissão líquida neutra. Entre as principais fontes de emissão na base de Urucu estão os turbocompressores e turbogeradores, que vêm sendo alvo de ações de mitigação e melhorias em eficiência energética.

“A transição energética justa precisa garantir que todos tenham acesso aos serviços energéticos. Isso precisa e pode ser feito sem abrir mão da preservação”, afirma Emanuela Santos.

A ausência de estradas externas, o reflorestamento sistemático e o monitoramento constante do impacto ambiental fazem parte de uma estratégia pensada para conciliar produtividade e sustentabilidade.

A base, instalada no meio da floresta, opera como um modelo de engenharia e logística, mostrando que é possível extrair valor do subsolo sem destruir o que está acima dele.

*A repórter viajou a convite da Petrobras



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