
Ler Resumo
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que nenhuma negociação com os Estados Unidos será feita até que cheguem ao fim ameaças de uma ação militar, motivadas pela repressão aos recentes protestos no país. A declaração foi transmitida pela TV estatal iraniana nesta quarta-feira, 28, e intensifica a disputa retórica com o presidente americano, Donald Trump.
“Conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil. Se querem que as negociações aconteçam, devem cessar as ameaças, demandas excessivas e questões ilógicas apresentadas”, afirmou Araghchi.
Segundo o chanceler, Teerã não buscou negociações e nem teve qualquer contato recente com o enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff. “Não se pode falar em conversas em um ambiente de ameaças”, disse o ministro, que completou: “As negociações devem ser conduzidas em igualdade de condições, baseadas no respeito mútuo e por interesses em comum”.
+ Irã entra em alerta após movimentação militar dos EUA no Oriente Médio
As declarações de Araghchi contradizem falas feitas por Trump na terça-feira, 27, quando o republicano afirmou que o governo iraniano teria “ligado várias vezes” em busca de negociações. O conflito de versões ocorre em um dos momentos mais tensos da atual crise entre Estados Unidos e Irã, com um crescente receio de ações militares.
Na segunda-feira, 26, o grupo de ataque do porta-aviões americano USS Abraham Lincoln chegou ao Oriente Médio, aumentando a pressão sobre Teerã, e Trump afirmou que outra “bela armada” está navegando em direção à região.
“Temos uma Marinha poderosa perto do Irã. Maior do que a (que estava nas proximidades) da Venezuela“, declarou o presidente ao portal de notícias Axios.
Em resposta à movimentação, Araghchi observou que diversos países da região compartilham preocupações com o aumento das tensões, e que alguns estados entraram em contato com Teerã para se oferecer como mediadores. “Os países do entorno entendem que qualquer ameaça militar desestabilizaria toda a região”, disse o ministro.
A crise entre Estados Unidos e Irã é um resultado direto da repressão promovida pelo governo iraniano contra protestos antigovernamentais que assolam o país desde o início do ano. Mais de 6 mil pessoas morreram em meio às manifestações, motivadas pela queda da cotação do rial, a moeda do país, e a perda de poder de compra subsequente.