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Diminuiu a lista de big techs que devem sentar no banco dos réus do Tribunal Superior da Califórnia, nesta semana. O TikTok tornou-se a segunda empresa a fechar um acordo extrajudicial com a jovem K.G.M., de 20 anos, que afirma ter desenvolvido dependência das plataformas ainda na infância em razão de recursos de design deliberadamente voltados à retenção da atenção. De acordo com o processo, o uso intensivo dos aplicativos agravou quadros de depressão, desencadeou pensamentos suicidas e expôs a jovem a situações de bullying e extorsão. “É a primeira vez que big techs precisam se defender desse tipo de acusação no país”, afirmou Matthew Bergman, advogado da vítima, à agência Reuters.

Na semana passada, o Snapchat foi a primeira companhia a fechar um acordo com a vítima. Nenhuma das duas empresas que optaram pela composição extrajudicial comentou o caso. O YouTube, por sua vez, sustenta que não se enquadra como rede social nos mesmos moldes de plataformas como Instagram e TikTok e afirma ter produzido, ao longo dos anos, conteúdo direcionado a crianças com segurança. A Meta não se pronunciou.

A preocupação com os impactos do ambiente digital sobre a saúde mental de crianças e adolescentes é global. Em novembro de 2025, o Parlamento Europeu aprovou um relatório que propõe estabelecer 16 anos como idade mínima para o uso de redes sociais, plataformas de vídeo e sistemas de inteligência artificial sem consentimento parental em toda a União Europeia. Para jovens entre 13 e 16 anos, o acesso passaria a exigir autorização dos responsáveis. No mês passado, a Austrália adotou medida semelhante ao barrar o acesso às redes sociais por menores de 16 anos.

Nos Estados Unidos, o Congresso vem, nos últimos anos, ameaçando as big techs com iniciativas legislativas e regulatórias, até agora com resultados limitados. Diversas audiências foram realizadas no Senado para discutir os efeitos nocivos das redes sociais na vida de adolescentes. Em uma delas, há cerca de um ano, o então presidente executivo da Meta, Mark Zuckerberg, pediu desculpas publicamente a pais que responsabilizavam as plataformas pela morte dos filhos, afirmando que “ninguém deveria passar” pelo sofrimento relatado. Parlamentares cobravam, na ocasião, explicações sobre o que as empresas estavam fazendo para proteger crianças e jovens.

A sucessão de processos contra as redes sociais remete, cada vez mais, ao que ocorreu com a indústria do tabaco nos anos 1990. Naquele período, empresas como Philip Morris e R.J. Reynolds foram acusadas de ocultar informações sobre os danos causados pelos cigarros, ao mesmo tempo em que investiam pesado em estratégias de marketing para ampliar o consumo, inclusive entre jovens. Em 1998, essas companhias fecharam um acordo histórico de US$ 206 bilhões com mais de 40 estados americanos, que resultou no fim de campanhas publicitárias e em novas regras de advertência ao consumidor. O endurecimento regulatório levou à queda do número de fumantes. Hoje, os tribunais começam a discutir se as big techs repetiram a mesma lógica: minimizar riscos conhecidos, maximizar engajamento e transferir à sociedade o custo de uma dependência que ajudaram a criar.



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