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A conversa entre Lula e Donald Trump chama atenção menos pelo que aparece nas manchetes e mais pelo que acontece fora do microfone. Para Ricardo Rocha, coordenador de finanças do Insper, o mercado sabe que encontros desse tipo raramente se resumem ao discurso público. Há negociações abertas, especialmente no campo comercial, e a possibilidade — ainda embrionária — de redução de tarifas por parte dos Estados Unidos, “A gente precisa de mais transparência por parte do governo federal. Cada vez que o Lula tem uma reunião com Trump a gente não sabe o que eles conversam”. É esse tipo de de bastidor, e não a retórica ideológica, que pode fazer preço mais à frente.

A economista Laura Pacheco vai na mesma linha e destaca o jogo duplo típico da diplomacia. Chefes de Estado falam para a plateia, mas negociam em reservado. A rivalidade pública entre Lula e Trump não elimina uma relação pragmática nos bastidores, descrita como mais próxima e funcional do que parece, “A informação que chega para nós é o que é mostrado. Mas o que acontece nos bastidores? Às vezes é um movimento um pouquinho diferente”. Para o mercado, o bastidor  importa porque acordos, alinhamentos e concessões quase nunca nascem no palco principal — eles surgem nos corredores, nas reuniões fechadas, nos detalhes que só aparecem depois. “Um governante, e ele tem que botar aquela máscara do movimento ideológico, é o que sustenta o posicionamento dele como chefe de Estado, né?”, conclui. 

Lula, Trump e o Copom 

E o Comitê de Política Monetária? Para a reunião desta semana, segue imune ao ruído. O Banco Central do Brasil continua olhando inflação, expectativas e convergência para a meta. Mas não é ingênuo: se desses bastidores sair algo concreto — redução de risco, melhora no comércio, fluxo de capital — isso pode aparecer, ainda que discretamente, no tom de comunicados futuros. No economês traduzido: hoje não muda nada, mas o mercado já tenta ouvir o que ainda está sendo cochichado.



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