O governador da Califórnia, Gavin Newsom, acusou o TikTok nesta segunda-feira (26) de censurar conteúdos críticos ao presidente dos EUA, Donald Trump, ao iniciar uma revisão das práticas de moderação de conteúdo da plataforma para determinar se elas violam a lei estadual.
A medida surge após a ByteDance, proprietária chinesa do TikTok, anunciar a finalização de um acordo para criar uma joint venture com participação majoritária de empresas americanas, que garantirá a segurança dos dados nos EUA, evitando assim uma proibição do aplicativo de vídeos curtos usado por mais de 200 milhões de americanos.
“Após a venda do TikTok para um grupo empresarial alinhado a Trump, nosso escritório recebeu relatos e confirmou casos independentes de conteúdo crítico ao presidente Trump suprimido”, afirmou o gabinete de Newsom na rede social X, sem dar mais detalhes.
“Gavin Newsom está iniciando uma revisão dessa conduta e solicitando ao Departamento de Justiça da Califórnia que determine se ela viola a lei estadual”, acrescentou.
A Casa Branca e o TikTok não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Newsom, do Partido Democrata, e Trump, um republicano, têm se criticado mutuamente há tempos.
O acordo da semana passada com o TikTok representou um marco para a empresa após anos de embates com o governo dos EUA devido às preocupações de Washington com os riscos à segurança nacional e à privacidade sob os governos Trump e o ex-presidente Joe Biden.
A ByteDance afirmou que a TikTok USDS Joint Venture LLC protegerá os dados, aplicativos e algoritmos dos usuários americanos por meio de medidas de privacidade de dados e segurança cibernética, em um acordo elogiado por Trump.
Com mais de 16 milhões de seguidores em sua conta pessoal no TikTok, Trump atribuiu ao aplicativo um papel fundamental em sua vitória nas eleições de 2024.
O acordo prevê que investidores americanos e globais detenham 80,1% da joint venture, enquanto a ByteDance ficará com 19,9%.
Cada um dos três investidores gestores da joint venture – a gigante da computação em nuvem Oracle, o grupo de private equity Silver Lake e a empresa de investimentos MGX, sediada em Abu Dhabi – deterá uma participação de 15%.
Os governos dos EUA e da China aprovaram o acordo, disse um funcionário da Casa Branca.