Oito em dez habitantes (86%) de Curitiba dizem aprovar a prática de internação forçada de moradores de rua, em especial se forem dependentes químicos, quando a pessoa oferece risco à própria vida ou à de terceiros. É o que indica um levantamento publicado nesta terça-feira, 27, pelo instituto Paraná Pesquisas.
De acordo com a pesquisa, apenas 8,4% dos curitibanos se manifestaram radicalmente contra a internação involuntária em qualquer caso, enquanto 3,1% afirmam que a medida “depende da situação”. O levantamento ouviu 802 habitantes na capital paranaense entre os dias 22 e 25 de janeiro de 2026, com margem de erro estimada em 3,5 pontos percentuais (pp) para mais ou para menos.

Norma municipal permite internar qualquer morador de rua com autorização médica
O levantamento Paraná Pesquisas ocorre no contexto de uma nova portaria municipal, aprovada em dezembro do ano passado pela gestão do prefeito Eduardo Pimentel (PSD), que autoriza a Secretaria de Saúde de Curitiba a ordenar a internação forçada de pessoas em situação de rua com “sofrimento psíquico decorrente ou não do uso abusivo de álcool e outras drogas”.
Na prática, a nova regra permite que qualquer morador de rua seja internado involuntariamente pela prefeitura, desde que haja autorização do representante legal, laudo médico de transtorno psiquiátrico e avaliação clínica de que o paciente apresenta um destes quadros:
- Incapacidade grave de autocuidados
- Risco de vida ou de prejuízos graves à saúde
- Risco de agressão a si próprio(a) ou de outros
- Risco de prejuízo moral ou patrimonial
- Risco de agressão à ordem pública
A lei dispensa, ainda, a necessidade de aprovação familiar em casos de emergência médica.
Também de acordo com a pesquisa, cerca de dois terços dos participantes (68,8%) disseram ter conhecimento sobre o novo protocolo municipal para internação compulsória, enquanto 31,2% afirmaram que não sabiam da portaria recentemente aprovada. Independente da ciência ou não das novas regras, 83,5% dos entrevistados concordaram que a internação forçada pode reduzir o número de dependentes químicos nas ruas, enquanto 89,4% avaliam que o poder público deve intervir nestes casos, mesmo sem o consentimento do paciente, quando existe risco à sua vida ou da população.