Sacrificadas pelo tarifaço do presidente norte-americano, Donald Trump, as vendas de produtos brasileiros para os Estados Unidos, que vinham renovando recordes em anos anteriores, sofreram um freio brusco em 2025: as exportações daqui para lá caíram 6,6%, de 40,4 bilhões de dólares em 2024 para 37,7 bilhões de dólares em 2025.

Já as importações de lá para cá subiram 11%, para 45,2 bilhões de dólares. Com isso, a vantagem dos Estados Unidos no comércio com o Brasil, que é historicamente positiva para eles, se ampliou e chegou a 7,5 bilhões de dólares. Trata-se de um valor 8,8 vezes maior do que o déficit comercial que o Brasil teve com o mercado americano em 2024, quando essa diferença foi de 283 milhões de dólares, também negativa para o Brasil – o valor de tudo o que o Brasil importa dos EUA é maior do que tudo o que exporta.

Os Estados Unidos são – e mesmo com o forte recuo, continuam a ser – o segundo maior comprador de produtos brasileiros, atrás apenas da China. Os chineses compram 28% de tudo o que o Brasil vende para o resto do mundo, enquanto os americanos ficaram com uma fatia de 10,8% em 2025. Em 2024, essa participação era de 12%.

As perdas no mercado americano, entretanto, não impediram as exportações brasileiras totais de continuarem crescendo. Elas avançaram 3,5% no ano passado e chegaram a 348 bilhões de dólares, o maior valor já registrado.

Depois de taxar as importações do mundo todo com uma tarifa mínima de 10% em seu grande anúncio de abril, o presidente Donald Trump, que tomou posse em janeiro passado, aplicou, em agosto, uma taxa adicional de 40% sobre boa parte das importações do Brasil. Com isso, diversos produtos brasileiros passaram a pagar 50% de tarifa para entrar nos EUA, recebendo uma das sanções mais altas do mundo. Após conversas com o presidente Lula, o tarifaço de 40% acabou sendo aliviado por Trump mais tarde.

Continua após a publicidade

De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, após os recuos de Trump, o Brasil tem agora 22% de sua pauta exportadora para os EUA ainda pagando a tarifa de 50%. No pior momento, em agosto, essa proporção chegou a 37%. A conta considera a participação dos valores exportados dos itens taxados.

“O presidente Lula tem com o presidente Trump um bom relacionamento. Eles tiveram vários encontros, as conversas avançaram e a nossa tarefa é avança ainda mais”, disse Alckmin em coletiva a jornalistas nesta terça-feira, 5. “O trabalho continua e vai ser acelerado para que esses 22% que ainda enfrentam a tarifa de 50% sejam reduzidos ainda mais”, acrescentou.

Também de acordo com as contas do governo, 51% da pauta de exportações brasileiras aos Estados Unidos, hoje está com a tarifa padrão de 10%, aplicada por Trump a todos os parceiros, ou está entre os produtos que os Estados Unidos mantiveram isentos, como o petróleo. Outros 27% estão enquadrados na chamada Seção 232, a ação de Trump que aplicou tarifas específicas para produtos selecionados, e iguais em todo o mundo. Automóveis, aviões e siderurgia são algumas das indústrias nessa cesta.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *