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Antes de uma cúpula em Paris nesta terça-feira, 6, em que líderes e representantes de mais de 30 países discutirão a guerra na Ucrânia, começou a circular na imprensa uma proposta de declaração conjunta que sugere que os Estados Unidos devem apoiar a criação de uma força multinacional de defesa em território ucraniano em caso de uma nova agressão da Rússia. Trata-se de uma mudança de posicionamento, uma vez que o governo Donald Trump evitava dar aval a tal medida, rejeitada pelo líder russo, Vladimir Putin.
De acordo com um rascunho da declaração visto pelas agências de notícias AFP e Reuters, Washington se comprometeu a apoiar o destacamento de soldados europeus para a Ucrânia caso Moscou ataque novamente, além de prometer liderar os esforços para monitorar uma trégua futura.
De acordo com a AFP, os Estados Unidos liderariam um “mecanismo de monitoramento e verificação do cessar-fogo” que envolveria os europeus, na eventualidade de um acordo para tal. Ademais, o governo americano também se comprometeu a “apoiar” uma força multinacional liderada pela Europa – implantada na Ucrânia após um eventual cessar-fogo – “em caso de” um novo ataque da Rússia.
A força multinacional a ser mobilizada após o cessar-fogo fornecerá “medidas de segurança no ar, no mar e em terra” para a Ucrânia e garantirá a “regeneração das forças armadas ucranianas”, sendo que “esses elementos serão liderados pela Europa”, acrescenta o texto. Haverá participação americana na força multinacional, “incluindo capacidades americanas como inteligência e logística”, e “um compromisso dos Estados Unidos de apoiar as tropas europeias em caso de ataque” por parte da Rússia, afirma o documento. Os detalhes sobre este acordo, porém, ainda são escassos.
A declaração será apresentada nesta terça na cúpula no Palácio do Eliseu, e ainda precisa ser aprovada.
Ainda de acordo com a minuta, aliados europeus de Kiev, conhecidos como “coalizão dos dispostos”, se comprometeriam com garantias “politicamente e juridicamente vinculativas” para proteger a Ucrânia “em caso de um futuro ataque armado da Rússia, a fim de restaurar a paz”. As garantias seriam ativadas “assim que um cessar-fogo entrar em vigor”.
“Esses compromissos podem incluir o uso de capacidades militares, inteligência e apoio logístico, iniciativas diplomáticas e a adoção de sanções adicionais”, diz o rascunho, segundo a Reuters.
De acordo com analistas, se os líderes europeus conseguirem aprovar o texto e firmar seus compromissos com a Ucrânia na reunião desta terça, isso encorajaria os Estados Unidos a consolidarem suas promessas de apoio à segurança ucraniana.
Ainda serão necessárias discussões garantir consenso sobre as formas de monitorar um cessar-fogo, qualquer envio de uma força multinacional para proteger a Ucrânia, apoio e investimento contínuos para as forças armadas ucranianas (visto que elas serão a primeira linha de defesa contra qualquer nova agressão russa) e planos de longo prazo para cooperação em defesa com a Europa e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
E, claro, um cessar-fogo efetivo também depende do aval da Rússia, que não demonstrou até agora nenhum sinal de estar disposta a encerrar os combates. Moscou não cedeu um milímetro em suas exigências maximalistas a respeito do território ucraniano, e Trump não parece ter exercido pressão suficiente sobre Putin para chegar a um acordo.
Mais cedo nesta terça, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou no X (ex-Twitter) que teve uma reunião com seu homólogo francês, Emmanuel Macron, antes da cúpula de Paris. Os dois discutiram o fornecimento de mais armamentos de defesa a Kiev.
“Diplomacia e assistência concreta devem caminhar juntas. A Rússia não cessa seus ataques contra o nosso país e, neste momento, precisamos reforçar a defesa aérea para proteger nosso povo, nossas comunidades e infraestrutura crítica”, escreveu Zelensky. “Cada entrega de mísseis de defesa aérea salva vidas e aumenta as chances de diálogo. É por isso que cada reunião deve gerar resultados concretos – novas decisões sobre defesa aérea, novos pacotes de assistência e novas capacidades para proteger o espaço aéreo.”