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A expectativa em torno de uma possível reunião convocada por Donald Trump com representantes das grandes petrolíferas americanas esbarra, por ora, em um dado concreto: explorar o petróleo venezuelano está longe de ser simples. Apesar do interesse estratégico evidente, executivos do setor ouvidos por agências internacionais afirmam que ainda não receberam convite formal para o encontro anunciado pela Casa Branca (este texto é um resumo do vídeo acima).

No programa Mercado, o economista Igor Lucena, CEO da Amero Group, afirmou que a “ficha caiu” em Washington. Diferentemente de outros episódios de intervenção americana em países produtores, a Venezuela reúne obstáculos que vão muito além da política.

Por que a infraestrutura virou o principal entrave?

Segundo Lucena, estradas em péssimo estado, pontes antigas e maquinário obsoleto tornam a extração um desafio logístico gigantesco. “Não se trata apenas de ter petróleo no subsolo, mas de criar condições mínimas para retirá-lo”, afirmou. Em experiências passadas, como no Oriente Médio, as petrolíferas só avançaram após extensos processos de reconstrução.

A diferença, agora, é que o governo Trump tenta evitar uma destruição total do regime para, em tese, reorganizar o país sem partir do zero. Ainda assim, isso exige investimentos pesados em infraestrutura básica antes de qualquer barril ser extraído.

O que está realmente em jogo para os Estados Unidos?

Se conseguirem operar na Venezuela, os Estados Unidos passariam a controlar, direta ou indiretamente, cerca de 20% do petróleo mundial, ao somar sua própria produção às reservas venezuelanas — as maiores do planeta, com mais de 300 bilhões de barris, à frente até da Arábia Saudita.

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Mas, para Lucena, esse cenário depende de garantias que hoje não existem. “Os empresários precisam ter certeza de que não serão expropriados, como ocorreu nos anos 2000, no governo Hugo Chávez”, disse. Sem contratos protegidos e mecanismos claros de enforcement, o capital privado tende a ficar de fora.

Quem manda hoje na Venezuela?

Outro ponto central é a instabilidade do poder político. Com Delcy Rodríguez no comando interino, a estrutura de segurança — militares e forças civis — segue fragmentada. Relatos de tiroteios próximos ao Palácio de Miraflores reforçam a percepção de um país longe da normalidade institucional.

“Há forças políticas que não aceitaram esse desfecho”, afirmou Lucena, apontando para o risco de novas rupturas ou até de uma incursão americana mais direta, caso o caos se aprofunde.

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Democracia ou petróleo?

O economista lembra que integrantes do governo americano, como o secretário Marco Rubio, já condicionaram qualquer reaproximação econômica a uma transição democrática reconhecida internacionalmente. A equação, porém, é delicada: manter uma nova cúpula no poder, garantir segurança jurídica às petrolíferas e, ao mesmo tempo, organizar eleições legítimas.

Por enquanto, o cenário é de incerteza. “É um exercício de wishful thinking”, resumiu Lucena. As próximas semanas devem indicar se a aposta de Trump na Venezuela será um movimento estratégico de longo prazo — ou apenas mais um plano travado pela realidade no terreno.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Mercado (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.



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