O colapso da maior mineradora de manganês na América Latina, a Buritirama, é só um dos motivos apontados pelo megainvestidor Silvio Tini para interditar o filho, João José de Oliveira Araújo. No processo, que tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Tini lista gastos bilionários com carros de luxo, obras de arte e imóveis. Tudo somado, chegaria a R$ 3 bilhões — valor que o empresário diz que o filho “torrou” no intervalo de apenas dois anos.

Apresentada nos autos, as compras de João José são nababescas. Só de carros de luxo, ele teria adquirido uma McLaren edição limitada Senna Coupe, cinco Ferraris, três Porsches e duas Lamborghinis. Para abrigar tantas preciosidades, ele teria desembolsado cerca de R$ 50 milhões para comprar uma mansão destinada apenas a abrigar os veículos.

O herdeiro comprou, também, um iate que pertencia a Eike Batista, arrematado em leilão por R$ 14 milhões, além de mais de cem obras de artistas como Cândido Portinari e Manabu Mabe, ao menos dez apartamentos de alto padrão em São paulo e uma mansão à beira-mar em Miami.

Enquanto isso, a mineradora Buritirama, administrada por João José, foi à bancarrota. A falência foi decretada em 2023, com dívidas de R$ 1,4 bilhão. A empresa ostentava o título de maior mineradora de manganês da América Latina. João José recorreu, mas em abril de 2025, a 3ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a falência da Buritirama.

Os possíveis motivos do colapso da mineradora também são apontados no processo por Silvio Tini. De acordo com os autos, o filho teria distribuído R$ 400 milhões em dividendos da empresa para ele mesmo. Além disso, teria contraído empréstimos para financiar um plano de expansão que previa que a empresa sairia de 3.500 funcionários para 100 mil. O projeto não saiu do papel, mas os empréstimos venceram, empurrando a empresa para a falência.

Aos 79 anos, Silvio Tini é considerado um dos homens mais ricos do país, com patrimônio estimado em R$ 2,8 bilhões, segundo a Forbes. Ele é acionista de grandes empresas como Alpargatas, Gerdau, Banco Pan, BomBril, Terra Santa e Paranapanema, mineradora que está em recuperação judicial.

O processo aberto contra o filho expõe as entranhas da família com troca de acusações duras. Em depoimentos registrados nos autos, uma das filhas de Silvio Tini, abre fogo contra o irmão chamando-o de “mau perdedor”. Foram arrolados, ainda, relatos de seguranças, da fisioterapeuta e até do verdureiro que atenderia a casa de João José. Na primeira instância, a Justiça negou o pedido de interdição, mas Tini recorreu e o caso segue em trâmite.

 

 



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