Depois de supermercados e farmácias, os postos de gasolina passaram a concentrar parte significativa da população de Caracas nos primeiros dias de janeiro, em meio à tensão política desencadeada pela captura de Nicolás Maduro. O temor de interrupções no abastecimento levou motoristas a antecipar o consumo e a enfrentar longas filas em diferentes regiões da capital venezuelana.

“Consegui abastecer rápido porque só aceitavam pagamento em dinheiro, em dólares”, disse Matilde Salazar, cerca de 40 anos, enquanto aguardava com a filha em um posto no sul da cidade. Segundo ela, a decisão de pagar em moeda estrangeira veio depois de percorrer outras estações, onde encontrou filas maiores ou unidades fechadas. “Preferi gastar alguns dólares para sair com o tanque cheio”, afirmou.

A movimentação se repete em vários bairros. Apesar de a Venezuela deter as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e contar com importantes refinarias, o país convive há anos com falhas recorrentes no fornecimento de combustíveis.

Analistas ouvidos por jornais como El Nacional e El Universal atribuem o problema à combinação de infraestrutura deteriorada, queda de investimentos, dificuldades operacionais da estatal PDVSA e ao impacto das sanções internacionais.

Rafael González, que esperou mais de uma hora para abastecer, disse ter optado pela primeira estação aberta que encontrou, sem tentar outras alternativas.

Continua após a publicidade

“Meu carro ainda tinha meio tanque, mas como não se sabe o que pode acontecer, preferi completar”, afirmou. No caso dele, o pagamento foi feito em bolívares, a moeda oficial do país, por meio de cartão bancário.

De acordo com o Observatório Venezuelano de Conflitualidade Social, momentos de instabilidade política costumam provocar corridas preventivas a serviços considerados essenciais, como combustíveis e alimentos.

Economistas citados pela imprensa local apontam que, mesmo sem anúncios oficiais de racionamento, a memória recente de escassez leva a população a agir de forma defensiva.

Continua após a publicidade

Enquanto o governo afirma que o fornecimento está garantido, moradores seguem adotando estratégias de precaução.

Para muitos caraquenhos, encher o tanque tornou-se mais do que uma necessidade imediata, funcionando como uma resposta direta a um cenário marcado por incerteza política e fragilidade estrutural no sistema de abastecimento.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *