O ator George Clooney reagiu às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à decisão do governo francês de conceder cidadania ao artista e à sua família. O embate ocorreu após Trump ironizar a mudança do casal para a França e atacar o histórico político do astro de Hollywood.

Vencedor do Oscar e com 64 anos, Clooney tornou-se cidadão francês neste mês, assim como a mulher, a advogada de direitos humanos Amal Alamuddin Clooney, e os dois filhos do casal. A família vive há anos no sul da França, onde mantém uma propriedade na região da Provença.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a França podia “ficar” com Clooney e Amal, a quem chamou de “dois dos piores prognosticadores políticos de todos os tempos”. O presidente também associou a concessão da cidadania a críticas à política migratória francesa e atacou a carreira do ator, dizendo que ele teria obtido mais visibilidade com comentários políticos do que com seus filmes.

Clooney respondeu de forma irônica em entrevista à revista Hollywood Reporter, ao comentar as eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, marcadas para novembro. “Concordo totalmente com o presidente atual. Precisamos tornar os Estados Unidos grandes novamente. Vamos começar em novembro”, disse.

Crítico frequente de Trump e apoiador histórico do Partido Democrata, Clooney tem se manifestado publicamente sobre política americana nos últimos anos, inclusive como arrecadador de fundos para campanhas democratas. A troca de farpas se soma a outros embates entre o presidente e celebridades de Hollywood, um conflito recorrente desde o primeiro mandato de Trump.

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A cidadania francesa concedida aos Clooney também gerou debate interno na França. A decisão ocorreu pouco antes da entrada em vigor, em 1º de janeiro, de regras mais rígidas para naturalização, que passaram a exigir maior domínio do idioma francês e a aprovação em testes de conhecimentos cívicos. Uma secretária de Estado do governo Emmanuel Macron criticou o que chamou de possível “duplo padrão”, já que o ator admite falar pouco francês.

O Ministério do Interior e o Itamaraty francês, porém, defenderam a medida. Segundo o governo, a legislação permite a naturalização de estrangeiros que contribuam de forma relevante para a influência internacional e o prestígio cultural da França.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que Clooney contribui para o setor audiovisual e para a projeção cultural do país, enquanto Amal Clooney mantém colaboração frequente com instituições acadêmicas e organismos internacionais sediados em território francês.

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Em entrevistas recentes à imprensa francesa, Clooney elogiou as leis de privacidade do país, afirmando que elas garantem maior proteção à família contra a exposição midiática, além de oferecer melhor qualidade de vida aos filhos do que Los Angeles. Amal Clooney, que tem cidadania britânica e libanesa, fala francês fluentemente.

Dados do Ministério do Interior mostram que cerca de 48,8 mil pessoas adquiriram a nacionalidade francesa por decreto em 2024. O ator não é o único nome conhecido a demonstrar interesse no passaporte francês: o cineasta americano Jim Jarmusch anunciou recentemente que também pretende se naturalizar, citando o desejo de ter uma alternativa fora dos Estados Unidos.

O episódio reforça o tom polarizado do debate político nos EUA e evidencia como decisões pessoais de figuras públicas continuam sendo usadas como munição em disputas ideológicas, tanto dentro quanto fora do país.



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