Em uma madrugada que mudou a rotina do motorista de aplicativo Jurandir João de Brito, de 60 anos, um simples turno de trabalho terminou com o seu veículo danificado e sua principal fonte de renda comprometida.
O motivo foi a colisão com o carro conduzido pelo ator Dado Dolabella. O acidente ocorreu por volta das 0h40 de sábado (20/12), na Avenida Doutor Ricardo Jafet, no bairro do Ipiranga, zona sul da capital paulista.
Imagens feitas pelo próprio Jurandir (vídeo acima) mostram o estrago, que, segundo ele, lhe custarão dias de corridas e gastos com conserto.
“É capaz de nem ter conserto mais. É minha ferramenta de trabalho, sou motorista de aplicativo, esse é meu ganha-pão, de mim e da minha família”, afirmou ele.
Jurandir relatou à Polícia Civil que trafegava pela via quando o veículo — que saía em alta velocidade do drive-thru do Burger King — invadiu sua trajetória e o atingiu na lateral direita, danificando o carro que utiliza para trabalhar.
“Ao descer do carro, ele estava alterado, com aparência de estar embriagado”, disse Jurandir à reportagem, em um relato que agora integra o inquérito policial. “Ele saiu em alta velocidade, bateu e quando eu falei que acionaria a polícia, recolheu o para-choque que caiu no chão, colocou no banco traseiro e fugiu do local.”
Já em vídeos publicados nas redes sociais, o ator afirmou que deixou o local para “proteger a filha”, alegando que Jurandir estava alterado.
Enquanto as versões divergem, o prejuízo para o motorista de aplicativo é concreto. Sem o carro em condições de rodar, ele ficará afastado do trabalho até que o conserto seja feito.
A ocorrência foi registrada como fuga do local do acidente. A investigação policial aguarda laudos periciais e depoimentos antes de definir eventuais responsabilizações.
A defesa de Dado e o ator não foram localizados pela reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
Histórico criminal
Nos últimos anos, o ator Dado Dolabella tem sido figura recorrente em episódios policiais e processos judiciais relacionados a condutas agressivas, especialmente em contextos de relacionamentos íntimos.
O caso de maior repercussão ocorreu em 2008, quando ele foi acusado por sua então namorada, a atriz Luana Piovani, de agressão física durante uma briga em uma boate na Gávea, no Rio de Janeiro, e de também ter agredido uma camareira que tentou intervir.
O episódio resultou em condenação de dois anos e nove meses de prisão em regime aberto e pagamento de indenização à funcionária, embora parte da condenação tenha sido objeto de recursos posteriores.
Em 2009, ainda sob o foco da Justiça carioca, sua então esposa, a publicitária Viviane Sarahyba, registrou denúncia por agressões físicas e verbais durante o casamento, o que levou à concessão de medidas protetivas. A Justiça também determinou seu afastamento do lar.
Mais recentemente, em 2025, Dolabella foi condenado a dois anos e quatro meses de prisão, em regime aberto, por agredir sua ex-namorada e prima, Marina Dolabella, em 2020, em um episódio que envolveu tapas, socos no rosto e puxões de cabelo, segundo relatado no processo, e que deu origem à ação penal. Sua defesa tem anunciado que pretende recorrer da decisão.












