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A União Europeia abriu um novo esforço diplomático para convencer a Itália a apoiar o acordo de livre comércio entre o bloco e o Mercosul. De acordo com o parlamentar Bernd Lange, há “pressa” por parte das autoridades europeias, uma vez que o acordo pode fracassar se não for assinado em breve. As declarações foram dadas nesta terça-feira, 16, em entrevista a agência de notícias Reuters.

“Os países do Mercosul estão perdendo a paciência. Se não for possível assinar agora, a janela de oportunidade se fechará, e eles voltarão sua atenção para países de que não gostamos”, analisou Lange, que é presidente da comissão de comércio no Parlamento Europeu. “Se a Itália não estiver de acordo, acabou. Espero que hoje a situação fique um pouco mais clara”, completou o eurodeputado.

As negociações para um acordo comercial entre União Europeia e Mercosul se estendem há 25 anos. Se aprovado, é esperado que este seja o maior negócio do tipo já firmado pela UE, recebendo apoio de países como Espanha e Alemanha, que defendem o pacto como necessário para reduzir a dependência da China e mitigar os problemas causados pelas tarifas dos Estados Unidos.

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Porém, a ideia passa longe de ser unanimidade no bloco, com muitos estados temendo que seus mercados sejam tomados por commodities baratas oriundas das nações sul-americanas em detrimento da produção local, com especial preocupação relacionada à pecuária. Dois dos maiores exportadores de carnes da Europa, França e Polônia, têm resistido ao acordo devido à possibilidade de perda de espaço no mercado.

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Varsóvia vem se opondo veementemente a um acordo, enquanto Paris opta por tentar adiar os prazos para a assinatura. Em decorrência de tal postura, as principais autoridades europeias favoráveis ao pacto se voltaram para a Itália, na tentativa de conseguir o apoio necessário para seguir em frente com as negociações.

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Na noite de segunda-feira 15, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, se reuniram com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, para discutir questões referentes ao acordo. O encontro aconteceu um dia antes da votação de medidas de salvaguarda aos países da UE — incluindo a suspensão de benefícios comerciais caso importações causem prejuízos ao agronegócio europeu.

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Formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai (e também pela Venezuela, embora esta esteja suspensa desde 2015, e mais recentemente Bolívia), o Mercosul chegou a um acordo com a União Europeia em dezembro de 2024, mas o texto ainda não foi ratificado. Desde então, houve poucos avanços. Embora tenha planos para vir ao Brasil neste final de semana para assinar o acordo, von der Leyen precisa da aprovação do Conselho Europeu para tal.

Composto pelos chefes de estado de cada uma das nações da UE, o Conselho Europeu é responsável por dar autorização à Comissão Europeia para realizar acordos comerciais. É necessário que pelo menos 15 dos Estados-membros aprovem a medida, e que sua população combinada represente 65% da população do bloco.

Nesse contexto, a Itália se torna crucial para a aprovação da medida. O país sozinho conta com 59 milhões de habitantes, tendo a 3ª maior população da UE. Caso se junte à França e Polônia na reprovação do acordo, o trio combinado representaria 36% de todos os habitantes do bloco, inviabilizando qualquer pacto.



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