A partir deste sábado, 13, o Itaú Cultural, em São Paulo, transforma seus três andares em uma imersão no universo dos jogos eletrônicos com a abertura da exposição Game+: Arte, cultura e comunidade. Em cartaz até março de 2026, a mostra propõe um olhar que transcende o entretenimento puro, situando os videogames como pilares fundamentais da economia criativa, da educação e da expressão artística contemporânea. Com uma seleção de 51 jogos disponíveis para o público jogar, além de itens históricos e instalações interativas, a curadoria organiza o espaço em três eixos centrais: Sociedade e economia criativa, Educação, e Arte e inovação.
A estrutura da exposição foi desenhada para guiar o visitante por diferentes camadas dessa cultura. O térreo dedica-se à contextualização histórica, exibindo uma linha do tempo com consoles raros e clássicos, como o Space Invaders e o brasileiro Amazônia, de 1985. Descendo ao primeiro subsolo (piso -1), o ambiente evoca a coletividade das lan houses e a interação física, reunindo jogos que exigem movimento corporal, como Just Dance e Kinect Sports, além de uma área dedicada a títulos educativos e infantis. Já o segundo subsolo (piso -2) foca na estética e na inovação, destacando o cenário independente e autoral, onde a arte digital e narrativas complexas ganham protagonismo.

É neste último setor que a força da produção nacional se destaca, abordando temas identitários cruciais. A mostra inclui Huni Kuin: Yube Baitana, desenvolvido em colaboração com o povo indígena Huni Kuin do Acre, permitindo ao jogador contato com seus mitos e grafismos. Outro destaque é Dandara, um “metroidvania” aclamado que reimagina a heroína do Quilombo dos Palmares em uma metáfora de resistência, rompendo com as lógicas tradicionais de movimentação nos games. Em conversa com nossa reportagem, a equipe de curadoria do Itaú Cultural reforçou que o objetivo era provocar o público a pensar “o game como economia criativa, o game como um lugar de pensar esses novos desenvolvedores no Brasil” e também “o game como arte”, focando nas possibilidades estéticas e na diversidade dessas propostas.
A seleção final dos títulos foi um desafio de síntese e representatividade. Sergio Nesteriuk, consultor da exposição, revelou durante nossa conversa que o processo de filtragem foi intenso. “A lista inicial tinha 170 jogos. Mas o entendimento de que a experiência do jogo se dá com o jogo jogado é fundamental”, explicou Nesteriuk, justificando a redução para 51 títulos que pudessem ser efetivamente experimentados pelo público, em vez de apenas observados. Para ele, a exposição reflete a maturidade do setor, trazendo desde blockbusters até jogos acessíveis, como o audiogame Breu, desenvolvido para pessoas com deficiência visual.

Além da jogabilidade, a exposição valoriza a atmosfera de comunidade. O espaço foi pensado para que as pessoas não apenas joguem, mas assistam e comentem, recuperando a dinâmica social dos fliperamas e locadoras dos anos 1990 e 2000. “Entendemos o movimento de game como uma comunidade mesmo”, pontuou Juliano Ferreira, coordenador de Artes Visuais e Acervos do Itaú Cultural, destacando que a mostra não busca ser definitiva, mas abrir a discussão para o fato de que o videogame hoje é “mais” — mais cultura, mais mercado e mais sociedade. A entrada é gratuita e a classificação indicativa varia conforme o jogo, com controle de tempo para garantir a rotatividade nas estações mais disputadas.
Serviço
Game+ Arte, cultura e comunidade
Onde: Itaú Cultural – Av. Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo – SP.
Quando: De 13 de dezembro de 2025, a partir das 11h, a 8 de março de 2026. Terças-feiras a sábados, das 11h às 20h; domingos e feriados das 11h às 19h.
Quanto: Entrada gratuita.
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