O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 12, que a Tailândia e o Camboja aceitaram retomar o cessar-fogo após confrontos sangrentos que deixaram ao menos 14 mortos e dezenas de milhares deslocados. O acordo, mediado pelo governo americano, havia sido implementado em outubro. No mês seguinte, contudo, Bangkok acusou Phnom Penh de instalar novas minas terrestres depois da remoção de uma cerca de arame farpado e anunciou o rompimento da trégua.

“Eles concordaram em cessar todos os disparos a partir desta noite e retornar ao Acordo de Paz original feito entre mim e eles, com a ajuda do Grande Primeiro Ministro da Malásia, Anwar Ibrahim”, escreveu Trump na Truth Social, rede social da qual é dono.

O cessar-fogo de outubro pôs fim a um conflito de cinco dias que eclodiu entre Tailândia e Camboja em julho. Pelo menos 48 pessoas morreram durante os combates e 300 mil foram forçadas a deixar suas casas. Apesar da trégua, as tensões continuaram altas, com trocas de acusações de violações. Na segunda-feira, 8, as forças tailandesas lançaram ataques aéreos ao longo da fronteira com o território cambojano, uma região disputada há décadas.

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Hostilidade histórica

O conflito que estourou em julho foi resultado de um aumento gradual nas tensões. No mês anterior, soldados de ambos os países trocaram disparos na fronteira, matando um militar cambojano. Isso levou a uma série de ações de retaliação por parte de ambos os governos, que desaguaram numa guerra. Após a intervenção de Trump, além de esforços diplomáticos da Malásia e da China, um cessar-fogo foi acordado — o republicano ameaçou suspender todas as negociações comerciais com o Camboja e a Tailândia até que houvesse um acordo de paz.

Mas, no início de novembro, a Tailândia acusou o Camboja de instalar novas minas terrestres após a remoção de uma cerca de arame farpado. Na época, o porta-voz do Exército Real Tailandês, Winthai Suvaree, destacou que a retirada do alambrado “viola a declaração conjunta assinada e inevitavelmente afetará a posição da Tailândia e vários acordos”. O acordo foi, então, rompido por Bangkok. Phnom Penh, por sua vez, negou “categoricamente as alegações” e disse que estava “gravemente preocupado” com a decisão tailandesa.

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“A maioria dos campos minados, remanescentes de quase três décadas de guerras civis no Camboja, nas décadas de 1970 e 1980, ao longo da fronteira entre Camboja e Tailândia, ainda não foi removida devido ao terreno acidentado e à falta de demarcação das áreas fronteiriças”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Camboja em comunicado.

Os dois países têm uma relação complexa há décadas, variando entre cooperação e hostilidade. Tailândia e Camboja compartilham uma extensa fronteira de 800 quilômetros, que foi definida pelos franceses quando Phnom Penh ainda era colônia. A divisa é palco frequente de disputas territoriais por locais históricos e templos — uma questão não abordada pelo acordo de paz de Trump — e de consequentes combates.

O Camboja já solicitou anteriormente uma decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ), principal órgão judicial da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre as áreas disputadas. A Tailândia, contudo, não reconhece a jurisdição do tribunal e alega que a região nunca foi plenamente demarcada.



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