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O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano. A decisão foi enviada em comunicado publicado nesta quarta-feira, 10. A definição era amplamente antecipada por analistas de mercado e economistas, diante das reiteradas manifestações da autarquia nos últimos meses de que manteria os juros elevados pelo tempo necessário para que as expectativas de inflação convirjam para o centro da meta de 3%.
A Selic alcançou o nível de 15% na reunião de 18 de junho, quando o Copom determinou um aumento de 0,25 ponto percentual. Desde então, o colegiado do BC reuniu-se em julho, setembro e novembro. Nos três encontros, a resistência das projeções de inflação de apontar para a meta, a preocupação com o cenário fiscal, os sinais de que a economia continua aquecida e as incertezas geopolíticas levaram o Copom a não mexer nos juros.
É verdade que as expectativas melhoraram ao longo do ano e um dos termômetros são as projeções dos agentes econômicos consolidadas pelo BC no Boletim Focus. No último Focus de 2024, o mercado estimava que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, bateria em 4,96% em 2025, muito acima dos 4,5% que representam o teto da meta. Já o boletim publicado na última segunda-feira, 8, traz uma estimativa de 4,4% para este ano, dentro do teto da meta.
A expectativa é reforçada pelo IPCA divulgado também nesta quarta-feira, 10. O dado mostra que a inflação nos últimos 12 meses está dentro do teto da meta do BC, em 4,46%. O dado desta quarta-feira mostra ainda que o IPCA de novembro de 2025 é o menor desde o indicador de novembro de 2018, quando o IPCA teve deflação de 0,21%.
Como a política monetária demora para surtir efeito – os especialistas afirmam que são necessários seis meses para que um aumento ou corte de juros impacte de fato a economia -, o Copom já se preocupa muito mais com os próximos anos do que com o resultado de 2025. É justamente o cenário de 2026 e 2027 que desafia o BC.
Segundo o último Focus, o mercado projeta um IPCA de 4,16% no ano que vem e de 3,80% para 2027 – ambos acima do centro da meta de 3%. Mesmo em 2028, os analistas consultados pelo BC enxergam a inflação em 3,50%. Ou seja, ainda há um longo caminho para inflação, principal motivo para a Selic elevada, atingir o centro da meta.
(Matéria em atualização)