
Em Três Graças, o romance entre Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky) está dando o que falar. As jovens herdeiras se conheceram em um jantar promovido por Maggye (Mell Muzillo) e se curtiram desde a primeira troca de olhares. Nos capítulos seguintes, as cenas entre as garotas incluíram flertes escancarados, olhares apaixonados e diálogos que deixam claro o interesse afetivo das personagens. Pelo andar da carruagem, o primeiro beijo deve sair já nos próximos dias.
A história de amor de Lorena e Juquinha vem em ótima hora na Globo: as duas representam uma redenção de Laís (Lorena Lima) e Cecília (Maeve Jinkings), principal casal LGBTQIA+ de Vale Tudo, a antecessora de Três Graças. O remake de Vale Tudo prometeu oferecer uma apresentação muito melhor das personagens em comparação com a versão de 1988, que sofreram inúmeros cortes graças ao conservadorismo da época e os resquícios da ditadura militar, ainda bastante influentes naquele ano. Ao longo da novela, porém, o casal foi apagado e escanteado.
Cecília sofreu um acidente de carro e ficou em coma. Seu irmão Marco Aurélio (Alexandre Nero) ficou obcecado pela filha adotiva do casal, Sarita (Luara Telles), e tentou conseguir a guarda da menina à força. Também chamou atenção a falta de demonstração de afeto entre as personagens: nenhum beijo foi trocado nem mesmo durante o pedido de casamento. O primeiro e único beijo do casal foi no capítulo final, durante o casório das duas mulheres. Durante boa parte da trama, Laís e Cecília mais pareciam amigas que moravam juntas do que um casal.
Vale ressaltar que Mania de Você, novela anterior a Vale Tudo na faixa das nove, também teve cortes significativos que impediram o desenvolvimento de um casal lésbico. Formado pelas personagens Fátima (Mariana Santos) e Diana (Vanessa Bueno), o hipotético casal se aproximaria ao trocarem queixas sobre seus maridos tóxicos e ciumentos, mas nada disso aconteceu. Fátima se divorciou de Robson (Eriberto Leão) e engatou em um romance com Gael (Igor Cosso), enquanto Diana fez as pazes com o marido Hugo (Danilo Grangheia).
Após duas situações de apagamento de casais LGBTQIA+ em novelas do horário nobre da televisão aberta, o romance de Lorena e Juquinha parece ser um alívio. Com beijo e oficialização do namoro, o relacionamento ganhará mais espaço para se desenvolver durante toda a novela. As personagens são carismáticas e possuem forte senso de justiça, característica que será aproveitada no processo de desmascarar o vilão Ferette (Murilo Benício) e seus crimes. Tudo isso sinaliza um avanço e uma inserção mais genuína de personagens LGBTQIA+ na trama, com diversas camadas a serem exploradas — mérito dos autores Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva.
Apesar disso, ainda há a possibilidade do casal não ter o mesmo protagonismo de casais heterossexuais ou o mesmo nível de intimidade transposto para as telas — afinal de contas, a Globo tem tentado agradar um público conservador com suas novelas e pode decidir cortar as cenas do casal a qualquer momento. A torcida, porém, é para que Lorena e Juquinha continuem roubando as cenas de Três Graças.
Acompanhe notícias e dicas culturais nos blogs a seguir:
- Tela Plana para novidades da TV e do streaming
- O Som e a Fúria sobre artistas e lançamentos musicais
- Em Cartaz traz dicas de filmes no cinema e no streaming
- Livros para notícias sobre literatura e mercado editorial