As sanções econômicas de longo prazo impostas pelos Estados Unidos à Venezuela têm prejudicado gravemente o desenvolvimento do país latino-americano, apesar de seus abundantes recursos de petróleo bruto, afirmou Ramiro Royero, especialista e professor da Universidade Central da Venezuela.
Apesar dos ricos recursos naturais, o PIB da Venezuela situa-se na faixa média-baixa entre as nações sul-americanas, resultado de anos de severas sanções econômicas impostas por Washington.
“O alcance das sanções dos EUA é extremamente amplo. Elas proíbem o livre comércio, impedem a livre troca de tecnologias e restringem o livre fluxo de moedas, tudo isso crucial para o desenvolvimento de qualquer nação. Além disso, as persistentes ameaças militares e psicológicas dos Estados Unidos têm dificultado o desenvolvimento nacional e dissuadido o investimento internacional na Venezuela”, disse Royero.
A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
De acordo com uma pesquisa realizada em 2 de dezembro por um instituto de pesquisa venezuelano, 90% dos entrevistados acreditam que o verdadeiro propósito por trás das recentes ameaças dos EUA é derrubar o governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro e se apoderar dos recursos petrolíferos do país.
Segundo a Administração de Informação Energética dos EUA, as reservas de petróleo da Venezuela totalizam 303 bilhões de barris, aproximadamente um quinto das reservas mundiais de petróleo bruto e a maior reserva individual conhecida em todo o mundo.
Atualmente, a produção diária de petróleo bruto da Venezuela gira em torno de 1 milhão de barris.
O especialista afirmou que, embora os Estados Unidos sejam um país produtor de petróleo, mantêm uma alta demanda por petróleo bruto venezuelano.
Isso se deve à oferta de petróleo bruto pesado da Venezuela, que os Estados Unidos não possuem, criando uma forte complementaridade de mercado.
Royero avalia que, devido à produção insuficiente de petróleo bruto pesado no país, as refinarias americanas dependem fortemente das importações para produzir com eficiência diesel pesado, óleo combustível marítimo, lubrificantes e asfalto.
Os custos de produção da Venezuela são menores devido a diferentes métodos de produção, com alguns projetos custando menos de 20 dólares americanos por barril, muito abaixo dos custos de produção dos EUA.
Para o especialista, a Venezuela é um país soberano e capaz de resolver seus próprios problemas sem intervenção estrangeira.