Emagrecer não é apenas uma questão de regular a fome, o apetite ou ajustar a alimentação. Para muitos pacientes, inclusive aqueles que utilizam canetas emagrecedoras, o maior desafio está nos padrões mentais e emocionais que acompanham a comida desde a infância.

A psicóloga e nutricionista Cibele Santos explica por que mudar o corpo é apenas uma parte do processo, e como a mente pode interferir diretamente na manutenção do peso.

Padrões mentais que não desaparecem com a perda de peso

Segundo Cibele, os chamados padrões mentais e comportamentais são formados ao longo da vida e moldam como o indivíduo pensa, sente e age diante da comida.

“São crenças e hábitos profundamente enraizados, ligados a merecimento, autoestima e compensação emocional. Eles não somem só porque a pessoa perdeu peso ou começou a usar um medicamento”, afirma.

Como padrões mentais influenciam o emagrecimento além da fome - destaque galeria

Gula por ansiedade
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Gula por ansiedade

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Vício em comida
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Vício em comida

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Exageros desnecessários
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Exageros desnecessários

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Sentimento de culpa
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Sentimento de culpa

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Acompanhamento psicológico pode auxiliar no processo de emagrecimento
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Acompanhamento psicológico pode auxiliar no processo de emagrecimento

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Esses padrões funcionam como um “modo automático”: mesmo diante de menos fome física, o cérebro mantém antigas respostas emocionais, o que pode dificultar escolhas mais conscientes.

Comportamentos alimentares que persistem mesmo com menos fome

Para a especialista, comportamentos aprendidos desde cedo — como comer por ansiedade, estresse, tédio, tristeza ou recompensa — tendem a permanecer, independentemente da fome real.

“O apetite pode diminuir artificialmente, mas as emoções não. E isso pode confundir a percepção de fome e saciedade, além de aumentar o risco de episódios de compulsão ou descontrole quando a medicação oscila”, explica.

Mudanças emocionais durante o uso de canetas emagrecedoras

A perda de peso rápida ou mais fácil costuma vir acompanhada de uma carga emocional intensa.

“É comum que o paciente crie expectativas elevadas ou sinta ansiedade sobre o processo. O acompanhamento psicológico ajuda a lidar com essas mudanças e evita que a própria busca pelo resultado vire fonte de sofrimento”, diz Cibele.

Injeções para emagrecimento

Por que trabalhar as emoções é essencial

De acordo com a psicóloga, para que o emagrecimento não dependa exclusivamente da medicação, é preciso desenvolver novas estratégias para lidar com emoções desconfortáveis.

“Identificar gatilhos, manejar o estresse e usar ferramentas como mindfulness e psicoeducação ajudam o paciente a escolher respostas mais saudáveis do que recorrer à comida.”

Durante o tratamento, expectativa irreal e pressão pelo resultado costumam gerar frustração.

“O suporte psicológico ajuda a lidar com a lentidão, com as pausas e com a sensação de que algo está ‘errado’. Também evita que o medo de engordar substitua antigos padrões emocionais, criando rigidez e culpa.”

Quando o corpo muda, mas a mente não acompanha

Outra questão comum é a dificuldade de reconhecer o próprio corpo após o emagrecimento.

“Algumas pessoas continuam se percebendo, ou se comportando, como se estivessem no peso antigo. Essa desconexão entre corpo e autoimagem prejudica a manutenção dos resultados e pode levar à autossabotagem”, explica.

Para Cibele, mudar a mentalidade não é ter “força de vontade”, mas sim construir um estilo de vida novo.

“Isso envolve rotina, manejo do estresse, organização, hábitos sustentáveis e novas formas de lidar com emoções. É um processo diário, não uma decisão pontual.”

A terapia é fundamental para mudanças de hábitos

Quando é preciso intensificar o apoio psicológico

Sinais como culpa após comer, rigidez alimentar, baixa autoestima, críticas constantes ao próprio corpo, comparações sociais e medo excessivo de engordar merecem atenção.

“Esses comportamentos podem indicar riscos de transtornos alimentares. O acompanhamento mais próximo garante segurança e equilíbrio”, reforça Cibele.

Entre as abordagens mais eficazes, Cibele destaca a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a psicoeducação, técnicas de regulação emocional e mindfulness.

“A consolidação dessas mudanças varia de pessoa para pessoa, mas a regularidade é o que garante resultados duradouros.”

Para a especialista, o cuidado multidisciplinar é o que realmente sustenta o emagrecimento no longo prazo.

“A colaboração entre psicólogo, nutricionista e médico é essencial para prevenir recaídas, orientar o fim do uso da medicação e ensinar estratégias práticas de manutenção. Emagrecer é uma parte do caminho. Manter o peso com saúde requer uma visão integrada.”

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