O furto de combustível do Oleoduto São Paulo-Brasília (Osbra) da Petrobras em Ceilândia (DF), revelado após operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrada na última sexta-feira (5/6), colocou em risco as vidas de moradores e trabalhadores da região. Os criminosos alugaram um imóvel no condomínio Vista Bela há três meses para cavar um túnel, furar o duto e furtar o produto. Caso a prática ilegal gerasse uma explosão, uma área dentro de um raio de três quilômetros poderia ser destruída, incluindo a casa onde vive a família do técnico em eletrônica, Hécio Avelino Silveira, de 45 anos.
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“A gente ficou com sentimento de revolta, porque a gente trabalha tanto para conquistar as coisas e, de repente, pode perder tudo porque um ladrão resolve se dar bem em cima dos outros”, afirmou Hécio.
“A gente poderia ter perdido tudo. Na realidade, se tivesse acontecido uma explosão, a gente tinha morrido, porque a gente trabalha aqui em casa, com nossa pamonharia e minha loja de informática. Com certeza, nós seriamos vítimas. Nossas vidas estavam em risco”.
O morador viu a operação deflagrada pela PCDF e lembra que se assustou com a movimentação. “A gente estava em casa, quando escutamos um barulho e vimos um monte de carros da Polícia”, relembra.
Hécio não se recorda de ver movimentações suspeitas na região. “Eu vi uma ou duas vezes um rapaz de moto, de noite. Nada de suspeito. Meu vizinho disse que viu um caminhão-pipa encostado, porque ele chega de madrugada, horário em que os bandidos operavam aproveitando que todo mundo aqui dorme cedo”, comentou.
A família de Hécio vive no local há mais 20 anos. O técnico mora com a esposa, Maria Costa Furtado, 55; o filho, João Italo Costa, 25; e quatro cães de estimação. De acordo com o morador, quando o duto foi instalado na região, a Transpetro, subsidiária da Petrobras, deu um curso e deixou um telefone para contato em caso de emergência (Disque 168), especialmente se os moradores sentissem cheiro de gasolina. Além disso, semanalmente, uma caminhonete da empresa monitora a região.
Os moradores precisaram deixar a casa momentaneamente, mas ficaram aliviados ao saber que a equipe da Transpetro irá reparar o duto com segurança.
1222 crimes
O furto do Oleoduto São Paulo-Brasília (Osbra) em Ceilândia está longe de ser isolado. Segundo a Transpetro, foram registrados 1222 furtos de combustível em dutos da empresa no DF, entre 2015 e 2025. O pico de ocorrências foi em 2018, com 261 casos. Desde então, os números estavam em queda, mas houve aumento entre 2024 e 2025, quando os ocorrências avançaram de 25 para 31, respectivamente.
Os criminosos descobertos na última sexta-feira (5/6), por exemplo, furtaram 100 mil litros de combustível em uma semana. Os bandidos cavaram um túnel de cerca de 2,5m de profundidade, 1m de largura e 5m de comprimento até o oleoduto. Um deles tem experiência neste tipo de crime.
A operação da PCDF foi batizada de Estige e é de autoria da 19ª Delegacia de Polícia (P Norte). O caso segue sendo investigado para descobrir, entre outros pontos, qual seria o destino do material furtado e quem seriam os receptadores e revendedores. Há suspeita de envolvimento de uma facção criminosa no crime.
Atenção, consumidor
O caso levanta a preocupação dos consumidores nas bombas de combustível dos postos espalhados pelo DF. Segundo o presidente do Sindicombustíveis-DF, Paulo Tavares, consumidores podem testar a qualidade do produto: ao chegar em um posto, basta pedir para avaliar a cor, transparência e a quantidade de etanol na gasolina. No caso do diesel, é possível pedir a nota fiscal e saber a temperatura.
“Todo e qualquer cidadão, quando vai abastecer o seu carro, tem o direito de solicitar o chamado teste de aferição”, contou.
Os postos são obrigados a ter um galão de 20 litros à disposição para o teste. O combustível é derramado, e um ponteiro mede o abastecimento. A margem de erro tem que ser de, no máximo, 100 ml para cima ou para baixo. Passando dessas marcas, o posto é passível de multa. O aferidor deve ter o lacre do Instituto Nacional de Metrologia Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
Em nota enviada ao Metrópoles, a Transpetro defendeu penas duras a criminosos, além do uso de tecnologia de monitoramento e apoio às investigações. “A empresa apoia os projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional para tipificar o crime de roubo nos dutos e agravar as penas para criminosos envolvidos nessa atividade criminosa”, ressaltou a empresa.


