Os preços dos alimentos sobem em ritmo acelerado. Aumentaram 1,14% em maio, bem acima da média de 0,81% de abril na cidade de São Paulo.
Foi o que constatou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, responsável pela atualização do Índice de Preços ao Consumidor. Criado há 87 anos, é o mais tradicional indicador da evolução do custo de vida no país.
O custo da comida na cidade de São Paulo subiu 3,9% entre janeiro e maio, enquanto a inflação geral para os consumidores ficou pela metade — aumentou 1,9%.
O resultado apurado pela Fipe o confirma a tendência detectada nos últimos dois meses também em outras capitais pela fundação Dieese na pesquisa mensal sobre o valor da cesta básica.
Inflação dos alimentos em alta, e persistente, é notícia ruim para qualquer presidente, sobretudo durante a temporada de luta pela reeleição.
Fica pior quando isso acontece na cidade onde vivem 9,3 milhões de eleitores — é o quinto colégio eleitoral, depois dos estados de São Paulo (34,4 milhões), Minas Gerais (16,4 milhões), Rio de Janeiro (13 milhões) e Bahia (11,2 milhões).

Em 2022, o eleitorado paulistano encontrou na disputa presidencial uma chance de vazar insatisfação com a comida cara e a memória do desastre sanitário durante a pandemia causado pelo governo Jair Bolsonaro. Resultado: Lula venceu na capital paulista com vantagem de 486 mil votos (sete pontos percentuais) em relação ao adversário Bolsonaro.
Até agora, nada indica que nesta temporada eleitoral a inflação paulistana (3,9% de janeiro a maio) possa repetir o placar (14,7%) de 2022. No entanto, as pesquisas sugerem que não haverá dia fácil para Lula.

A perspectiva é de que o humor dos eleitores seja ainda mais afetado por uma tempestade perfeita nos preços dos alimentos, onde estariam combinados os efeitos da guerra no Oriente Médio, que tendem a atravessar o ano e, também, os reflexos do fenômeno El Niño, de consequências imprevisíveis para o agronegócio a partir de julho.
Oito em cada dez eleitores dizem que o custo de vida e o endividamento tem peso específico na hora de decidir o voto para presidente da República.

Há ano e meio, Lula gasta como Jair Bolsonaro na tentativa de mudar a desaprovação dos eleitores (negativa em mais de 10 pontos nas pesquisas). Não conseguiu.
Seu adversário mais destacado nas sondagens, por enquanto, é o candidato do Partido Liberal Flávio Bolsonaro. Suas ideias sobre a economia e a inflação, entre outras coisas, não são conhecidas porque nunca apresentou alguma notável nos sete anos em que está no Senado. Além disso, carrega o peso do legado da alta inflação e do pandemônio na pandemia no governo Jair Bolsonaro.