Toda lista nasce para ser contestada, ainda mais quando o assunto é futebol. Escolher os melhores jogos da primeira fase de uma Copa do Mundo envolve gosto pessoal, memória afetiva, simpatias inexplicáveis, rivalidades antigas e até aquela queda por seleções que, por algum motivo, parecem mais interessantes do que realmente são. Há quem prefira clássicos de camisa pesada. Há quem se encante por duelos improváveis. Há quem veja poesia num empate truncado entre dois azarões. Cada torcedor carrega suas referências e suas manias. Dito isso, algumas partidas dispensam apresentação e carregam, por si só, ingredientes suficientes para fazer o torcedor grudar o traseiro no sofá.

Mas, como em toda Copa, há o outro lado da moeda, aquelas partidas modorrentas que provocam bocejos e fazem os jogos, digamos, de um São Paulo ou de um Vasco parecer final de Champions League (são-paulinos e vascaínos, vocês sabem do que estou falando).

A lista a seguir, claro, não é unanimidade. Nunca seria. Mas é defensável – e quem quiser discutir, que venha com argumentos.

Cinco jogos imperdíveis

Brasil x Marrocos, 13 de junho, 19h

A estreia mais aguardada do Brasil desde, convenhamos, a última estreia do Brasil em Copas. De um lado, a seleção de Carlo Ancelotti, cercada de expectativas e dúvidas na mesma proporção. Vini Jr. terá a oportunidade de mostrar que consegue reproduzir na seleção o brilho que exibe no Real Madrid. Do outro, Marrocos, a sensação do Mundial do Catar, primeira seleção africana a alcançar uma semifinal de Copa do Mundo.

Inglaterra x Croácia, 17 de junho, 17h

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Aqui o elemento mais saboroso de uma partida de futebol: revanche. A Croácia eliminou a Inglaterra na semifinal da Copa de 2018, numa partida carregada de drama. Chegou a hora de Harry Kane, Bellingham e companhia darem o troco no quarentão Modric.

França x Noruega, 26 de junho, 16h

Kylian Mbappé contra Erling Haaland. Só isso já bastaria. Mbappé lidera uma França que chega novamente entre as favoritas ao título. Haaland carrega uma missão mais solitária: conduzir a Noruega o mais longe possível usando, principalmente, aquilo que faz melhor – marcar gols. É raro que a primeira fase ofereça um duelo tão nobre entre atacantes.

Espanha x Uruguai, 26 de junho, 21h

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A Espanha que domina o futebol europeu encontra o Uruguai que nunca aceitou ser dominado por europeus. De um lado, posse de bola, pressão alta e o prodígio Yamal. Do outro, sangue, suor e lágrimas (mais sangue e suor do que lágrimas, certamente). Jogo bom garantido – e alguns pontapés também.

Portugal x Colômbia, 27 de junho, 20h30

Cristiano Ronaldo na Copa que deve ser – de verdade, dessa vez – a sua última. Ele terá pela frente o imprevisível James Rodríguez, que some durante 4 anos para reaparecer em Copas do Mundo. São dois jogadores que vivem de grandes palcos e que costumam entregar muito nessas ocasiões.

Cinco jogos para pular

Catar x Canadá, 18 de junho, 19h

O Canadá tem Alphonso Davies. O Catar tem a lembrança de ter organizado uma Copa do Mundo. Tirando isso, é difícil encontrar motivos convincentes para largar tudo e sentar diante da televisão. Pode até ser um jogo competitivo. O problema é que “competitivo” nem sempre é sinônimo de “interessante”.

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Curaçao x Equador, 20 de junho, 21h

O Equador merece respeito. É uma seleção organizada, competitiva e frequentemente subestimada. O problema é que Curaçao é, com todo o respeito, Curaçao.

Argélia x Jordânia, 23 de junho, 0h

É o tipo de partida que costuma terminar exatamente como começou: sem deixar grandes marcas na memória de quem assistiu. Ao apito final, a maior dúvida talvez não seja o resultado, mas onde foram parar aqueles noventa minutos perdidos de sua vida.

Cabo Verde x Arábia Saudita, 26 de junho, 21h

Cabo Verde merece aplausos pela façanha de chegar a uma Copa do Mundo. A Arábia Saudita merece respeito por ocasionalmente produzir zebras memoráveis, como aquela vitória sobre a Argentina no Catar. Fora isso, não há nada de memorável no confronto.

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RD Congo x Uzbequistão, 27 de junho, 20h30

Toda Copa precisa de alguns jogos cuja principal função é preencher a tabela. Congo e Uzbequistão cumprem esse papel com maestria. Não há rivalidade histórica, não há estrelas globais e tampouco existe a sensação de que algo extraordinário está prestes a acontecer. Se você assistir, parabéns pelo compromisso com o futebol.



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