O BTG Pactual avalia que a carta de intenção assinada entre a australiana Viridis Mining and Minerals e a Solvay pode abrir caminho para novas formas de financiamento europeu ao projeto Colossus, em Poços de Caldas (MG), uma das principais apostas de terras raras em desenvolvimento no Brasil.
Em relatório, o banco afirma que o acordo preliminar com a Solvay representa um passo importante para reduzir os riscos do projeto, especialmente do lado da demanda. A parceria prevê o possível fornecimento de carbonato misto de terras raras produzido no Colossus à empresa europeia.
Para o BTG, a Solvay “não é apenas mais uma potencial compradora”. A companhia opera uma das plataformas mais relevantes da Europa para separação de terras raras, em La Rochelle, na França, e tem como meta pública atender cerca de 30% da demanda europeia por terras raras usadas em ímãs permanentes até 2030.
O ponto considerado mais relevante pelo banco é que, mesmo ainda não vinculante, o acordo de offtake com a Solvay atende a uma das principais exigências do mecanismo de apoio da Bpifrance, banco público de desenvolvimento da França. A Viridis já havia recebido uma carta de intenção da instituição para potencial apoio financeiro ao Colossus.
Na avaliação do BTG, isso pode abrir caminho para novas formas de suporte estratégico europeu ao projeto, incluindo mecanismos de piso de preço e outras estruturas de financiamento.
A leitura é que a presença de uma parceira downstream relevante e não chinesa aumenta a visibilidade comercial do Colossus e reforça a atratividade do projeto para financiadores internacionais.
A avaliação do BTG reforça a tentativa da Viridis de posicionar o Colossus dentro de uma cadeia ocidental de terras raras, em meio ao esforço de Europa, Estados Unidos e aliados para reduzir a dependência da China no processamento desses minerais.
Hoje, a etapa de separação e refino é considerada um dos principais gargalos da cadeia global de terras raras. Por isso, a possível conexão entre um projeto brasileiro de argilas iônicas e uma plataforma europeia de separação é vista como relevante para a estratégia de diversificação de fornecimento.
Apesar do tom positivo da avaliação, o acordo entre Viridis e Solvay ainda está em fase preliminar. A carta de intenção é não vinculante, os termos comerciais não foram divulgados e a eventual conversão em contrato definitivo ainda depende de novas negociações entre as partes.
O Colossus também precisa avançar em outros pontos considerados decisivos para sair do papel, como conclusão do estudo de viabilidade definitivo, atualização de recursos e reservas, avanço do financiamento, obtenção da Licença de Instalação e decisão final de investimento.
O projeto Colossus é apresentado pela Viridis como um ativo de terras raras em argilas iônicas, tipo de depósito considerado menos complexo de processar do que projetos tradicionais de rocha dura.