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O cineasta Steven Spielberg era só uma criança quando seu pai, engenheiro eletricista, garantiu-lhe que havia vida inteligente fora da Terra. Aficionado por ficção científica, ele apresentou ao filho clássicos do gênero, sendo o marcante O Dia em que a Terra Parou (1951) o primeiro contato do jovem Steven com a história de um alienígena amigável. Ao encarar as estrelas com olhar inquisitivo, o diretor incorporou a curiosidade à sua veia criativa: aos 17 anos, rodou de forma amadora, com uma câmera super-8, seu primeiro filme sobre aliens. Era o prenúncio dos excelentes Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977) e E.T. – O Extraterrestre (1982) — e do mediano Guerra dos Mundos (2005). Hoje, aos 79 anos, Spielberg volta ao tema em Dia D (Disclosure Day, Estados Unidos, 2026), que chega aos cinemas na quinta-feira 11. A trama questiona: e se as autoridades já soubessem da vida alienígena há 79 anos e a chegada da notícia ao público geral fosse iminente?

EM PAZ - O Dia em que a Terra Parou: clássico dos anos 1950 mostra E.T. colaborativo à mercê de humanos hostis
EM PAZ - O Dia em que a Terra Parou: clássico dos anos 1950 mostra E.T. colaborativo à mercê de humanos hostis (United Archives/Getty Images)

A concepção do novo filme teve como empurrão a publicação de uma matéria do The New York Times, em 2017, que revelou ao mundo que o Pentágono gastou 22 milhões de dólares anualmente, entre 2007 e 2012, com a manutenção de um programa dedicado a avistar objetos voadores não identificados — os famosos óvnis. Também veio a calhar que o presidente americano da época, Barack Obama, revelou em fevereiro de 2026 acreditar na vida alienígena, apesar de alegar não ter acesso a informações confidenciais sobre o assunto. Em resposta, o atual presidente, Donald Trump, prometeu divulgar documentos oficiais sobre extraterrestres. Mais de 200 arquivos sobre fenômenos curiosos vieram a público desde então, agregados, vejam só, dentro dos últimos oitenta anos.

PRIMEIRO ENCONTRO - Contatos Imediatos do Terceiro Grau: a grandiosa ficção científica inaugural de Spielberg
PRIMEIRO ENCONTRO - Contatos Imediatos do Terceiro Grau: a grandiosa ficção científica inaugural de Spielberg (A7eme Art/Photo12/AFP)

A movimentação trouxe brilho aos olhos de Spielberg, que só não se entrega de vez ao conspiracionismo por um mísero fator: ele próprio nunca viu um disco voador. Ainda assim, acredita em certos relatos — até na história do brasileiro E.T. de Varginha —, suspeita do mistério em torno deles e diz ser matematicamente impossível que a humanidade seja a única forma de vida inteligente do universo. Sua mente fértil vai além. Recentemente, o diretor sugeriu que alguns óvnis misteriosos seriam movidos por humanos do futuro investigando o passado. Vale lembrar que esse é o mesmo homem que, em 1993, defendeu que havia credibilidade por trás da clonagem dos dinossauros de Jurassic Park.

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AMIGOS - E.T. — O Extraterrestre: criatura amada ajudou o cineasta a processar o divórcio dos pais e a solidão infantil
AMIGOS - E.T. — O Extraterrestre: criatura amada ajudou o cineasta a processar o divórcio dos pais e a solidão infantil (Amblin/Universal Pictures/.)

O gosto do cineasta por teorias mirabolantes é inofensivo — e, melhor, rende boas histórias. Ao confabular sobre a imensidão do universo, Spielberg encontra a humanidade. Seus filmes grandiosos são envolventes não por ligações a forças desconhecidas, mas pela forma como espelham os anseios da vida terráquea. Contatos Imediatos comove ao sugerir que a interação com aliens seria estabelecida por meio da universalidade da arte, como a música e a pintura, já E.T. teve função terapêutica ajudando o diretor a expurgar a solidão que sentia na infância durante o divórcio dos pais. Até mesmo seu único filme de alienígenas maléficos, Guerra dos Mundos, carrega uma mensagem familiar: um pai se desdobra para salvar a filha da invasão extraterrestre, um olhar raro do filão, que prefere retratar a frente militar defendendo a Terra.

CONFIANTE - O diretor no set de Dia D: aos 79 anos, ele acredita mais do que nunca em teorias mirabolantes
CONFIANTE - O diretor no set de Dia D: aos 79 anos, ele acredita mais do que nunca em teorias mirabolantes (Niko Tavernise/Amblin/Universal Pictures/.)
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No caso de Dia D, Spielberg já revelou que quer promover a empatia. Influenciada por alienígenas, a protagonista Margaret (Emily Blunt) ganha o poder de entrar na mente dos outros e compreendê-los imediatamente. “Se isso fosse possível, nossa espécie seria muito mais colaborativa”, acredita o cineasta. Ao menos no cinema, os aliens estão entre nós — e são deveras interessantes.

Publicado em VEJA de 5 de junho de 2026, edição nº 2998



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