O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, propôs nesta quinta-feira, 4, uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, em uma carta aberta na qual também abre espaço para um “cessar-fogo total” enquanto forem negociados termos para o fim completo da guerra.

“A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra por meio de um compromisso direto entre o senhor e nós. Proponho uma reunião”, escreveu Zelensky no documento, no qual destaca que Kiev está “disposta a um cessar-fogo total enquanto durarem as negociações”.

As conversas, segundo o presidente ucraniano, devem ser feitas com “honestidade, dignidade e garantias de que a guerra não será reacendida”.

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À imprensa estatal russa, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Zelensky é bem-vindo para encontrar Putin em Moscou “a qualquer momento”. O presidente russo ainda não se manifestou.

Negociações paralisadas

As negociações entre a Rússia e a Ucrânia estão paralisadas há meses, com as conversas lideradas pelos Estados Unidos praticamente congeladas devido à guerra com o Irã. Rodadas anteriores de negociações entre os dois lados em Istambul, Abu Dhabi e Genebra não conseguiram chegar a um acordo sobre a questão crucial do território em um acordo pós-guerra.

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Perspectivas de avanços concretos seguem limitadas diante das exigências territoriais maximalistas apresentadas por Moscou. Como condição prévia para qualquer acordo, Moscou quer que Kiev retire suas tropas de toda a região de Donetsk, incluindo uma linha de cidades fortificadas consideradas uma das defesas mais fortes dos ucranianos.

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A Rússia ocupa cerca de 20% do território nacional da Ucrânia, incluindo a Crimeia e partes da região leste de Donbas. Analistas dizem que as foras russas ganharam cerca de 1,5% do território ucraniano desde o início de 2024.

A Ucrânia, por sua vez, defende que o conflito deve ser congelado ao longo das linhas de frente atuais, rejeita qualquer retirada unilateral de suas forças e busca garantias de segurança ocidentais sólidas para dissuadir a Rússia de retomar a ofensiva após qualquer cessar-fogo. Kiev também quer o controle de Zaporizhzhia, a maior usina nuclear da Europa, que foi tomada pelos russos no início do conflito.

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‘Novo paradigma’

A carta divulgada por Zelensky segue declarações do Kremlin de que a guerra entrou em um “novo paradigma”. No mês de maio, a Rússia lançou um número recorde de drones de longo alcance contra a Ucrânia, segundo análise da agência de notícias AFP, com base em dados da Força Aérea ucraniana. Ao todo, Moscou disparou 8.150 drones ao longo do mês, o maior volume registrado desde o início da invasão em larga escala ao país vizinho, em fevereiro de 2022.

A escalada ocorreu apesar de uma trégua de três dias anunciada pelo Kremlin durante as celebrações do Dia da Vitória, que marca o fim da Segunda Guerra na Europa. O cessar-fogo reacendeu brevemente as expectativas de retomada das negociações de paz, mas Kiev e Moscou trocaram acusações de violações e mantiveram ataques em diferentes frentes do conflito.

Os números mostram uma intensificação da ofensiva aérea russa. Segundo a análise da AFP, o total de drones lançados em maio foi 24% superior ao registrado em abril. O número de mísseis disparados também ficou entre os mais altos desde o início da guerra: foram 211 projéteis no período, incluindo um míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik, capaz de transportar ogivas nucleares e utilizado pela terceira vez desde 2022.

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A economia da Ucrânia também está atravessando seu momento mais difícil desde o primeiro ano da invasão russa devido aos ataques contra o sistema de energia no país. O índice mensal de recuperação da atividade empresarial do Instituto de Pesquisa Econômica em Kiev que compara o número de empresas que relatam se seus negócios estão piores ou melhores do que no ano anterior ficou negativo em fevereiro pela primeira vez desde 2023.

A situação no país se agravou após a Hungria manter nesta segunda-feira seu veto a um empréstimo de militar de 90 bilhões de euros da União Europeia destinado a apoiar Kiev. 

A reconstrução da economia e da infraestrutura da Ucrânia, caso a guerra acabasse agora, custaria US$ 588 bilhões (R$ 3 trilhões) em dez anos, segundo uma estimativa divulgada pelo Banco Mundial, em um estudo feito em conjunto com as Nações Unidas, a Comissão Europeia e o governo ucraniano.



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