O humorista Antonio Tabet, ex-Porta dos Fundos, fez um post irônico nas redes sociais dizendo que a esquerda brasileira deveria parar de clamar pela prisão de Flávio e Eduardo Bolsonaro, já que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro parecem atuar de formas que apenas favoreçam os rivais da direita em meio à corrida eleitoral em 2026.

O comediante fez referências ao escândalo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que patrocinou o filme Dark Horse, estrelado por Jim Caviezel, sobre o patriarca dos Bolsonaro. Apesar de Flávio ter dito não ter ligação com o empresário inicialmente, foi relevado mais tarde ligações e encontros entre ele e Vorcaro. Tabet também citou o vídeo de Eduardo em que o político sugere trocar o Pix, sistema brasileiro gratuito, pelo Zelle, um sistema de pagamento privado dos Estados Unidos.

“A esquerda brasileira deveria parar de pedir cadeia para Flávio e Eduardo Bolsonaro. O que seria da candidatura do Lula sem os dois maiores garotos-propaganda do PT? O atual governo pode fazer a cagada que for que, do nada, os dois aparecem chamando um Vorcaro de irmão, querendo acabar com o Pix ou lambendo as botas dos gringos às vésperas de uma Copa do Mundo (que é quando o mais cético brasileiro fica um pouquinho mais patriota). Entre outras coisas.”, começou Tabet.

Em seguida, ele colocou os irmãos Bolsonaro no mesmo pacote de Nikolas Ferreira, outro representante da direita, como “moleques mimados” que descredibilizam a direita.

“Essa militância precisa ser mais racional e entender que os dois irmãos, presos e sem microfone, não fariam esse trabalho que nem o melhor marketeiro político poderia vislumbrar. Quem precisaria tirá-los de cena é a direita, que fica sem espaço para promover quadros menos desqualificados. Mas, enquanto os conservadores forem representados por Eduardo, Flavio, Nikolas e outros moleques mimados assim, os progressistas podem se dar o luxo de errar.”, completou o ator.

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Quem é Antonio Tabet:

Antonio Tabet é um humorista, roteirista, ator e publicitário brasileiro, amplamente reconhecido por ter criado o blog de humor Kibe Loco, por ser um dos sócios-fundadores do famoso canal de comédia Porta dos Fundos e por seus personagens marcantes, como o policial “Peçanha”.

Após deixar o Porta dos Fundos, ele Tabet iniciou uma nova fase de sua carreira ao se tornar, através da empresa Ola Sports do qual é sócio, acionista também da N Sports, canal de transmissões esportivas. Em entrevista a VEJA, o humorista de 51 anos falou do novo negócio, carreira nas novelas e também da saída do grupo formado com Fabio Porchat, Gregorio Duvivier, Ian SBT e João Vicente de Castro.

Confira a entrevista completa, publicada em junho de 2025:

Como surgiu a proposta da holding Ola Sports virar sócia e assumir o comando operacional do N Sports? Nós nunca estivemos fora desse mercado. Eu e o André Barros, que é um dos sócios da Holding, sempre estivemos inseridos nesse mercado de entretenimento esportivo, desde a época do Desimpedidos e mais recentemente do Goat, que tem a participação do Marcos Motta, que está com a gente também nessa iniciativa. A diferença é que agora é o primeiro projeto de entretenimento com o esporte. O Desimpedidos era um canal que faz entretenimento com o tema do esporte, o Goat foi nosso primeiro ensaio nesse lugar de criar um canal do zero e deu certo. A partir da transmissão de jogos e criação de de conteúdo para reverberar essas essas atrações esportivas, surgiu a oportunidade de entrar de assumir o N Sports com uma estrutura bem maior.

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Por que houve esse interesse? O N Sports já é um canal estabelecido, já é uma marca conhecida por algumas praças mais específicas do mercado mercado nacional, já tem canal nas plataformas de TV por assinatura, tem uma base de assinantes formada e tem uma estrutura muito grande. Então, o que a gente estava ensaiando no Goat, a gente pode agora concretizar de maneira mais eficaz, efetiva e com as nossas observações e tendências editoriais com mais precisão num ambiente que já tá mais pronto e mais maduro para entrar solo no mercado que é tão competitivo quanto esse.

Com essa nova sociedade, qual é a sua função nesse novo modelo de negócio? Eu não sou um cara que joga numa posição só em um time. Eventualmente, vão querer obviamente me colocar de apresentador de alguma atração, ou eu posso comentarista, mas essas não posições não são o foco das minhas funções. Por ser um rosto razoavelmente conhecido, as pessoas já pensam automaticamente que eu vou começar a narrar jogo, ou que eu vou ser a cara do canal. Não tem nada disso. Eu sou uma das pessoas desse canal, mas o que eu mais gosto de fazer — e é aí que eu acho que é o meu “superpoder” ao longo da da minha trajetória — é o de criar conteúdos que não são exatamente produzidos por mim, ajudar no rebranding desse canal, num novo estilo de se comunicar, de criar, de observar tendências e de fazer esse canal girar e atingir os números que os outros canais que eu criei atingiram.

Quais outros? Tanto o Porta dos Fundos, quanto Desimpedidos, My News, Goat, bateram a a marca de 1 milhão de inscritos, alguns muito rapidamente, outros demoraram um pouco mais, mas todos eles que vingaram. E a ideia é essa também: criar conteúdo, pensar numa diretriz, que tipo de dogmas esse canal vai ter? Qual é o tipo de comunicação que a gente quer fazer? O que que a gente acha bom e o que que a gente não acha tão legal de fazer? O que que o mercado espera? Quais são as tendências? Qual é o tipo de de público alvo que a gente quer? A gente quer ser mais segmentado? A gente quer ser mais heterogêneo? Então, fazer essas escolhas e ser essa fazer parte dessa dessa guia criativa é a minha principal função nesse canal. E claro, ir para o mercado também também, falar com agências, falar com clientes, ter ideias, tudo isso é uma coisa que eu já faço há muitos anos.

Quando surgiu esse seu interesse por transmissões esportivas? Meu, meu primeiro emprego foi de estagiário na Rádio Globo, acompanhando o departamento de esportes, isso ainda em 1996. Então, a gente está falando aí de muito tempo, quase 30 anos. Então, é uma área que eu já trabalho desde então. E eu sou um torcedor e grande consumidor de esporte. Desde a época em que o Porta dos Fundos foi criado, Sempre houve a busca por alguém que tivesse algum tipo de experiência na produção de conteúdo online, na divulgação desse conteúdo e eventualmente me procuravam porque sabiam da minha paixão pelo esporte e da minha história profissional com aquele início da carreira no setor esportivo. Então foi assim, inclusive, que eu acabei criando o Desimpedidos. Mas depois daí foi só a ladeira acima, na verdade, né? Porque eu também passei pelo Flamengo, né? Durante três anos eu fui vice-presidente de comunicação do clube. E fiz uma reforma na comunicação do Flamengo.

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Como? Na época que eu entrei, era em 2015, o Flamengo era um clube com redes sociais praticamente abandonadas, era um clube que tinha menos seguidores, por exemplo, que o Santos. Não tinha nem redes sociais desenvolvidas e quando eu deixei a gestão em 2018, o Flamengo já era o clube mais popular do país também nas redes sociais. Então, esse interesse pelo esporte sempre foi mútuo. Eu me interesso muito pelo esporte e de alguma maneira o esporte também se interessava por mim, ou pessoas que estivessem em iniciativas, empresas ou canais de conteúdo esportivo, muitas vezes me procuravam para algum tipo de consultoria e eu ainda ainda estou firme nesse mercado, porque eu acho que é um mercado em franca expansão. É um mercado que não vai sofrer um baque tão cedo. Pelo contrário, eu acho que a demanda só aumenta. Antigamente, nos anos 80, 90, até os 2000, as pessoas precisavam sentar na frente de uma TV para ver alguma coisa. E agora não, as pessoas estão consumindo conteúdo o tempo todo.

  • Em março deste ano, Antonio Tabet deixou o Porta dos Fundos junto com Ian SBF, com quem fundou o grupo humorístico com Fabio Porchat antes de chamar Gregorio Duvivier e João Vicente de Castro para se juntarem ao projeto em 2011. Tabet e Ian venderam suas partes para Porchat, Duvivier e Vicente de Castro, que permanecem à frente do negócio.

Sua saída do Porta dos Fundos teve a ver com essa sua investida mais incisiva nas transmissões esportivas? Infelizmente por uma cláusula contratual exigida por uma das partes que ficou no Porta, eu não posso falar sobre a minha saída. O que eu posso dizer é que eu estou muito feliz, muito aliviado e muito animado depois da minha saída do Porta. Entendo que o Porta fez história, criá-lo e fazer parte dela é motivo de grande orgulho para mim, mas o Porta agora é passado.

As amizades com seus ex-sócios continuam? Eu saí junto com o Ian, meu sócio, meu grande amigo desde a fundação do Porta. Eu e o Ian fomos as pedras fundamentais do Porta lá atrás. Em relação às pessoas que ficaram, tenho uma boa relação com Ian, Greg e Fabio.

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O seu personagem mais famoso, o sargento-tenente-major Peçanha faz sucesso com os mais diversos públicos e há muitos anos. Por que acha que ele é esse fenômeno? Ele gera uma identificação muito grande. Todo mundo conhece um Peçanha. Todo mundo em algum momento da vida teve de lidar com um Peçanha, que é uma personagem que retrata não só um policial, mas ele pode ser um segurança de shopping, um guardinha de aeroporto, um segurança de condomínio, não importa. Em algum lugar alguém já teve de lidar com alguma pessoa, algum agente de segurança, vigia, monitoramento, que não não tinha capacidade para estar ali. Então, a identificação é a primeira coisa. O segundo caso é que num ambiente tão polarizado quanto esse que a gente vive, com muita gente de direita e muita gente de esquerda, esses dois polos gostam da personagem porque enxergam de maneira diferente e ambas estão corretas.

Por exemplo? A esquerda vê o Peçanha como uma crítica, uma sátira irreverente que de fato ele é, e a direita vê ele como um exagero, uma charge e em algum lugar até uma homenagem, que ele também é. Tanto é que o Peçanha faz muito sucesso com policiais, eles amam o Peçanha. Eu ando na rua, os caras batem continência, pedem selfie, tem figurinha de grupo de WhatsApp da polícia com Peçanha. Então, eles se amarram na personagem. E é uma personagem muito politicamente incorreta e ao mesmo tempo ele é muito burro, o que justifica as suas falhas. Ele retrata muito bem a hipocrisia do brasileiro médio, do cara machista, mas que não admite homem que bate em mulher.

Em 2023 você fez sua estreia em novelas com o remake de Elas por Elas. Pensa em fazer outra novela? Aquela foi uma experiência muito rica, trabalhar com um elenco tão qualificado quanto o Matheus Solano, Marcos Caruso e Isabel Teixeira foi realmente gratificante. Ainda mais sob a direção da Amora Mautner, uma das diretoras mais talentosas com quem eu trabalhei, sensível e gentil. Eu faria novela de novo, sim. Se o papel for interessante e a agenda permitir. Mas por enquanto não tenho nada no horizonte nesse sentido.

E quais são seus próximos projetos? Tem bastante coisa, mas ainda não posso falar, porque muitas estão embrionárias. Mas o que posso adiantar é que tenho muitos projetos de humor e entretenimento pela frente. Nunca estive em um momento tão produtivo da minha vida, bem acompanhado por novos sócios, agentes e colegas. E nós vamos balançar as estruturas do mercado muito brevemente.

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