O principal negociador do Irã e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quarta-feira, 3, que Teerã responderá de forma “decisiva” a qualquer nova agressão dos Estados Unidos ou de Israel, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.

Segundo a agência estatal iraniana ISNA, Ghalibaf declarou que Teerã considera encerrado o período em que adversários poderiam agir contra o país sem enfrentar consequências.

“Hoje, a nação iraniana, em sua batalha contra os Estados Unidos e o regime sionista, mostrou que a era das ameaças gratuitas ao Irã acabou e que qualquer agressão será respondida de forma decisiva, lamentável e proporcional”, afirmou o presidente do Parlamento.

Em paralelo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta quarta-feira que não houve “nenhum progresso tangível” nas negociações com os Estados Unidos para pôr fim à guerra, segundo uma entrevista à televisão libanesa citada pela agência Tasnim.

Mais cedo, a Guarda Revolucionária anunciou ataques com mísseis e drones contra o Kuwait, alegando que a operação foi uma resposta a bombardeios americanos realizados contra instalações iranianas na ilha de Qeshm e em áreas próximas ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo. Segundo autoridades kuwaitianas, ao menos uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas.

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Os Estados Unidos afirmaram ter interceptado parte dos projéteis iranianos e anunciaram uma nova rodada de ataques contra posições militares no sul do Irã. Segundo o Comando Central americano (Centcom), as operações tiveram como alvo locais de lançamento de mísseis, embarcações suspeitas de preparar a instalação de minas e estruturas localizadas na ilha de Qeshm.

O episódio representa mais um teste para o frágil e instável cessar-fogo firmado entre Washington e Teerã no início de abril, após meses de confrontos diretos e indiretos envolvendo também Israel e grupos aliados do Irã na região. Embora o acordo tenha reduzido temporariamente as hostilidades, ataques esporádicos continuaram ocorrendo nas últimas semanas, enquanto as negociações para uma solução mais ampla seguem sem avanços concretos.

Na semana passada, o Irã e os EUA sinalizaram progresso em direção a um acordo inicial provisório para interromper a guerra e reabrir o estreito, mas os dois lados ainda não assinaram o acordo formalmente.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações continuam, mas autoridades iranianas indicaram que os canais de comunicação estão praticamente paralisados. Teerã condiciona qualquer avanço diplomático ao ao fim dos combates no Líbano e ao relaxamento de sanções econômicas impostas pelos americanos.

A nova escalada também voltou a pressionar os mercados internacionais de energia. Os preços do petróleo avançaram cerca de 2% nesta quarta-feira diante das incertezas sobre a situação do Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde transitava aproximadamente um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito antes do início da guerra.



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