O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou, neste domingo, 24, que os EUA não têm intenção de se precipitar para alcançar um acordo com o Irã. “As negociações estão progredindo de forma ordenada e construtiva, e informei meus representantes para não se precipitarem em um acordo enquanto o tempo estiver a nosso favor”, escreveu o presidente norte-americano em sua plataforma Truth Social.

Trump também afirmou que o bloqueio ao Irã “continuará em pleno vigor” até que seja assinado um acordo definitivo com Teerã, que está sendo negociado por ambas as partes. Os Estados Unidos impõem, desde 13 de abril, um bloqueio aos portos iranianos, depois que Teerã praticamente paralisou o tráfego pelo Estreito de Ormuz em resposta aos ataques americanos e israelenses contra o Irã, iniciados em 28 de fevereiro.
“Não pode haver erros! Nossa relação com o Irã está se tornando muito mais profissional e produtiva. Eles precisam entender, no entanto, que não podem desenvolver ou adquirir uma arma ou bomba nuclear”, diz a publicação.
Os comentários de Trump ocorreram horas após republicanos e democratas terem rejeitado aspectos do acordo em discussão.
Embora a Casa Branca não tenha revelado detalhes do texto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, declarou no sábado (23), na televisão estatal, que ambas as partes estavam perto de assinar “um memorando de entendimento, uma espécie de acordo-quadro composto por 14 cláusulas”.
Acordo com Netanyahu
Donald Trump também garantiu ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que manterá sua exigência de desmantelar o programa nuclear iraniano como condição para qualquer acordo final com Teerã, disse um alto funcionário israelense à AFP neste domingo, 24.
“O presidente Trump deixou claro que se manterá firme nas negociações em relação à sua antiga exigência de desmantelar o programa nuclear do Irã e remover todo o urânio enriquecido do território iraniano, e que não assinará um acordo final se essas condições não forem atendidas”, disse o funcionário, citando uma conversa entre os dois líderes na noite de sábado.
O alto funcionário, que falou sob condição de anonimato, indicou que os Estados Unidos mantêm Israel informado sobre as negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz e o início das conversas para um acordo final sobre todas as questões pendentes.
Durante a conversa, Netanyahu enfatizou que Israel “manterá a liberdade de ação contra ameaças em todas as frentes, incluindo o Líbano”, acrescentou a fonte, afirmando que Trump reiterou seu apoio a esse princípio.
Remoção de minas marítimas no Estreito de Ormuz
Enquanto as negociações entre Estados Unidos e Irã ocorrem, centenas de oficiais da Marinha britânica, a bordo do navio RFA Lyme Bay ancorado próximo à costa de Gibraltar, aguardam para realizar a missão de retirar minas marítimas do Estreito de Ormuz. A operação depende do acordo de paz para ser iniciada.
Al Carns, ministro das Forças Armadas britânicas, divulgou os preparativos do navio militar para a possível missão liderada pelo Reino Unido. De acordo com ele, o RFA Lyme Bay deve se juntar ao destróier britânico HMS Dragon e outras embarcações aliadas para realizar uma travessia segura pelo Golfo do Pérsico.
De acordo com informações divulgadas pela Associated Press, o Irã pode ter espalhado diferentes tipos de explosivos ao longo do Estreito e, por isso, o foco da missão será inicialmente abrir um corredor de navegação para que os mais de 700 navios presos na região possam passar com segurança.
Tensões no Oriente Médio
Em meio às conversas de paz, o Líbano informou, neste domingo, 24, que um ataque israelense de sábado, 23, no sul do país, matou 11 pessoas, incluindo seis mulheres e uma criança, apesar do cessar-fogo em vigor entre Israel e o Hezbollah.
“O ataque do inimigo israelense à cidade de Sir al-Gharbiye, no distrito de Nabatiye, resultou em um massacre, deixando 11 mortos, incluindo uma criança e seis mulheres, e nove feridos, entre eles quatro crianças e uma mulher”, afirmou o Ministério da Saúde em um comunicado.
(Com AFP)