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Os Estados Unidos e o Irã sinalizam , neste domingo, 24, estarem perto de um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio. Detalhes sobre a negociação que pode chegar a um cessar fogo, no entanto, não foram divulgados.“Aspectos finais” ainda estão em discussão, afirmou Donald Trump, em sua rede social Truth, no sábado.
Na mesma publicação, o presidente informou ainda que realizou diversos telefonemas com líderes de todo a região, em uma tentativa de selar a paz. Já o secretário de Estado, Marco Rubio disse que “algum progresso foi feito, um progresso significativo, embora não seja definitivo”, durante uma visita à Índia no domingo, acrescentando que Trump poderia revelar mais sobre as negociações ainda hoje.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que tem atuado como mediador, por sua vez, afirmou também nas redes sociais que esperava sediar “a próxima rodada de negociações muito em breve”.
O conflito já matou milhares de pessoas, abalou os mercados globais de energia, deixou muitos na região em alerta para possíveis ataques com mísseis e bombardeios, e tem sido amplamente impopular entre os eleitores americanos.
O que está em jogo
Um dos principais impasses é o estoque de urânio enriquecido do Irã, que os EUA e Israel temem que possa ser usado para construir uma arma nuclear. O país persa se recusa a entregá-lo e insisite em um acordo nos moldes do que tinha sido selado no governo Obama, mais tarde abandonado pelo atual ocupante da Casa Branca. Há versões contraditórias de parte a parte sobre a inclusão do material radiotivo no acordo. Os próximos passos devem escalrecer essa questão
Outro ponto crucial é a abertura do Estreito de Ormuz, uma das principais vias navegáveis do Oriente Médio para escoamento do petróleo e do gás natural ao resto do mundo. O Irã bloqueou a passagem durante o conflito e estuda a adoção de pedágios para arrecadar fundos para a reconstrução do país. Outra possibilidade é o bloqueio apenas de embarcações americanas.
Em resposta a marinha dos Estados Unidos criou um bloqueio naval com sua poderosa frota, controlando a entrada e saída dos navios petroleitos.
Ao jornal The New York Times, autoridades iranianas afirmaram que o acordo aceito por Teerã reabriria o Estreito de Ormuz sem a cobrança de qualquer taxa e suspenderia o bloqueio naval dos EUA ao Irã.
O processo de paz, segundo informaçoes divulgadas na imprensa americana, incluiria ainda um cessar-fogo com Israel, que além de atacar o Irã, dirigiu bombardeios ao Líbano, seu vizinho ao norte, onde atua o grupo terrorista Hezbolah, em conluio com o regime dos aiatolás. O processo de paz cessaria os combates em todas as frentes e liberaria 25 bilhões de dólares em ativos iranianos congelados no exterior.
Reações
O governo do primeiro-ministro de Israel permanece em silêncio. Benjamin Netanyahu ficou extremamente irritado com Washington na última semana, já que tinha a expectativa de seguir com os ataques, em vez de seguir com as negociações. O político tem apostado na guerra como forma de se manter no poder, enquanto internamente cresce a resistência ao seu nome. Nova eleições estão sendo cogitadas para substituí-lo.
Líderes de países árabes e de maioria muçulmana disseram ao Sr. Trump por telefone, no sábado, que apoiavam a iniciativa, que tem trazido prejuízos para toda a região.
Trump, no entanto, enfrenta críticas da oposição e do próprio partido. O senador democrata Cory Booker disse à CNN, neste domingo, que o presidente Trump estava sendo “feito de bobo”. Já o republicano e aliado do presidente, Tom Tillis, questionou os termos do acordo. “Agora estamos falando de uma postura em que podemos aceitar o material nuclear que permanece no Irã? Que sentido isso faz?”, indagou.