Uma fonte sênior iraniana disse à Reuters neste domingo (24) que Teerã não concordou em entregar seu estoque de urânio altamente enriquecido.
A fonte disse que a questão nuclear do Irã não faz parte do acordo preliminar com os Estados Unidos.
“A questão nuclear será abordada nas negociações para um acordo final e, portanto, não faz parte do acordo atual. Não houve acordo sobre o estoque de urânio altamente enriquecido do Irã ser enviado para fora do país”, disse a fonte.
Programa nuclear no centro da disputa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem afirmado repetidamente que o Irã não pode ser autorizado a possuir uma arma nuclear.
De fato, a Casa Branca publicou em 2 de março um texto intitulado “74 vezes em que o presidente Trump deixou claro que o Irã não pode ter uma arma nuclear”. Desde então, ele reiterou isso muitas vezes.
Com esse objetivo, negociadores americanos buscaram impor limites severos à capacidade do Irã de enriquecer urânio, além da entrega de seu atual estoque de urânio altamente enriquecido, estimado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em 408 quilos de urânio enriquecido a 60% — próximo ao nível necessário para armas nucleares.
O Irã sempre sustentou que não busca desenvolver uma arma nuclear e, como signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), tem o direito de enriquecer urânio para fins pacíficos.
Tanto nas negociações com os Estados Unidos no ano passado quanto desde o início do conflito em fevereiro, Teerã resistiu a uma suspensão de longo prazo do enriquecimento.
No mês passado, negociadores americanos propuseram uma pausa de 20 anos, disse uma fonte familiarizada com as discussões. O Irã respondeu com uma proposta de suspensão de cinco anos, rejeitada pelos EUA, segundo uma autoridade americana.
O Irã também resistiu a enviar seu urânio enriquecido para o exterior, como exigido pelos Estados Unidos, e veículos de mídia iranianos ligados ao Estado insistem que um possível documento para encerrar a guerra não inclui compromisso de entregar os estoques e adia as negociações nucleares para depois do fim do conflito.
Essas negociações estavam em andamento em fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques militares contra o Irã.