
A morte recente de um jovem fisiculturista, ainda sob investigação, voltou a jogar luz sobre uma prática perigosa nos bastidores da busca por ganho de músculos: o uso de hormônios e medicamentos sem indicação médica, como testosterona e insulina.
No caso em questão, a causa oficial da morte ainda não foi definida, e a eventual relação com essas substâncias permanece como hipótese. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o caso é investigado como morte suspeita, sem sinais aparentes de violência.
Ainda assim, sabemos que tanto a insulina quanto os esteroides anabolizantes derivados da testosterona podem provocar desfechos graves quando usados para fins estéticos ou de performance.
A insulina é um hormônio essencial para levar a glicose do sangue para dentro das células. Em pessoas com diabetes, pode ser necessária para controlar a glicemia. Fora desse contexto, porém, seu uso é arriscado.
Em ambientes de fisiculturismo, há quem recorra à substância tentando aumentar o armazenamento de nutrientes no músculo. O problema é que uma dose inadequada pode derrubar a glicose a níveis perigosos — a chamada hipoglicemia, ou glicose baixa demais no sangue.
Quando isso acontece, o cérebro, que depende muito da glicose como fonte de energia, pode entrar em sofrimento. O quadro pode evoluir com confusão mental, desmaio, convulsões, coma e morte, especialmente se a pessoa estiver sozinha ou dormindo.
Já a testosterona e seus derivados anabolizantes agem estimulando crescimento muscular e características androgênicas. Em medicina, podem ser usados em situações específicas de deficiência hormonal. O risco aparece quando são consumidos em doses altas, por conta própria ou em “ciclos” estéticos.
O Ministério da Saúde alerta que anabolizantes podem causar alterações no fígado, pressão alta, mudanças no colesterol, infertilidade, acne, queda de cabelo, agressividade e problemas cardíacos.
O mecanismo cardiovascular preocupa: os anabolizantes podem piorar o perfil de gorduras no sangue, favorecer hipertensão, aumentar a sobrecarga do coração e contribuir para arritmias, infarto e morte súbita. Em paralelo, o uso externo de testosterona pode “desligar” a produção natural do hormônio, afetando testículos, fertilidade e equilíbrio hormonal.
A combinação de substâncias, dietas extremas, desidratação, treinos exaustivos e falta de acompanhamento médico aumenta ainda mais o risco. Por isso, a mensagem central é simples: aparência física não é sinônimo de saúde.
E hormônio não é suplemento.