Os esforços para intermediar um acordo entre os Estados Unidos e o Irã estão chegando a um momento decisivo em uma data altamente simbólica para os iranianos — o aniversário da libertação da cidade de Khorramshahr, em 1982, considerada um ponto de virada na guerra contra o Iraque naquela década.
O conflito começou em setembro de 1980, quando o ex-líder iraquiano Saddam Hussein invadiu o país vizinho após a revolução que levou os líderes clericais iranianos ao poder. A guerra, que causou perdas devastadoras para os dois países, terminou em agosto de 1988 com um acordo apoiado pela ONU.
Diversas autoridades de alto escalão divulgaram declarações marcando a data, que parecem tão direcionadas aos Estados Unidos quanto destinadas à comemoração.
Com um acordo parecendo próximo, o dia de hoje também pode se mostrar um momento decisivo na história iraniana.
“Nenhum tirano tem poder para se opor aos soldados dedicados e fiéis do Irã”, escreveu o presidente do Parlamento e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Em sua mensagem pelo aniversário, Ghalibaf elogiou a “bravura incomparável” dos combatentes iranianos. “Esses combatentes ensinaram ao mundo que honra e dignidade pertencem a uma nação que combina fé, determinação, patriotismo e coragem com conhecimento e trabalho árduo — e tal nação jamais provará o amargor da derrota”, afirmou.
O presidente do Irã ecoou as palavras de Ghalibaf, fazendo uma comparação direta entre o conflito atual do país e o de 44 anos atrás.
“Khorramshahr hoje é o Irã, o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz”, escreveu Masoud Pezeshkian em uma publicação no X. “A resistência, o sacrifício e a repulsão da agressão estão enraizados na cultura desta terra.”