A Justiça federal dos Estados Unidos autorizou que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes seja citado por e-mail em uma ação movida pela plataforma Rumble e pela Trump Media & Technology Group, empresa ligada ao presidente americano Donald Trump e responsável pela rede social Truth Social.

A decisão foi assinada por uma juíza da Corte Distrital da Flórida e destrava o andamento do processo após meses de tentativa frustrada de notificação pelas vias diplomáticas previstas na Convenção da Haia.

O despacho não entra no mérito das acusações feitas contra Moraes. A decisão trata exclusivamente da autorização para a citação do ministro brasileiro por meio eletrônico e da manutenção de documentos sob sigilo no processo.

A disputa entre Moraes e a Rumble ganhou dimensão internacional nos últimos meses e já provocou repercussões no Brasil, incluindo decisões envolvendo a atuação da plataforma no país.

Procurado, Alexandre de Moraes ainda não se manifestou sobre a decisão.

Entenda o caso em 3 pontos

  • O que motivou a ação nos Estados Unidos?

O processo foi aberto em fevereiro no Tribunal Federal da Flórida sob a acusação de que Moraes teria promovido censura ilegal contra discursos políticos de usuários alinhados à direita brasileira, como o influenciador Allan dos Santos.

Segundo as empresas, decisões do ministro obrigando a Rumble a remover contas de figuras brasileiras violariam a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão.

Os autores da ação também afirmam que Moraes determinou que a plataforma mantivesse representação legal no Brasil para cumprimento de ordens judiciais.

Embora a Trump Media não tenha sido alvo direto das decisões do STF, a empresa argumenta que depende da infraestrutura tecnológica da Rumble para funcionamento da Truth Social.

  • Por que a Justiça americana autorizou a citação por e-mail?

Na decisão, a juíza afirma que as tentativas de cooperação jurídica internacional ficaram paralisadas após uma mudança de procedimento envolvendo o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo o documento, o STJ consultou previamente a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) antes de avançar com o pedido de citação internacional.

As empresas alegaram que a PGR apresentou manifestação sigilosa defendendo que a notificação fosse barrada e que o procedimento passou a tramitar “sob sigilo”.

Para os autores da ação, a cooperação judicial teria se tornado “politizada e efetivamente indisponível”, criando um impasse sem previsão concreta de conclusão.

A juíza observou que a Convenção da Haia não proíbe expressamente a citação por e-mail e destacou precedentes da Justiça americana autorizando esse tipo de medida em casos envolvendo réus brasileiros.

A decisão também afirma que houve esforço suficiente das empresas para localizar e comunicar Moraes e que os e-mails vinculados ao STF foram considerados válidos e operacionais.

  • O que pode acontecer agora?

Com a decisão, a Rumble e a Trump Media terão prazo de 30 dias para encaminhar formalmente a citação aos endereços eletrônicos ligados ao gabinete de Moraes e comprovar o envio à Justiça americana.

Caso o ministro não apresente resposta nem peça prorrogação de prazo, as empresas poderão solicitar o registro de revelia — mecanismo que permite a continuidade do processo sem participação da defesa.

Na prática, isso não representa condenação automática nem decisão definitiva contra Moraes, mas abre caminho para que a ação avance nos Estados Unidos.

A Corte também autorizou que documentos anexados ao processo — descritos pelas empresas como ordens sigilosas emitidas no Brasil — permaneçam sob segredo de Justiça até nova deliberação.



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