Ler Resumo

Depois que a Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, a atenção do mundo político e jurídico voltou-se para a Procuradoria-Geral da República (PGR), a quem também cabe se manifestar sobre os temas e a abrangência das revelações que o ex-dono do Banco Master vier  a fazer sobre o maior esquema de fraude bancária da história do país.

Um recado chegou recentemente a aspirantes a delatores, a potenciais delatados e a advogados pagos a peso de ouro: a PGR mudou a métrica para aceitar acordos de colaboração, não aceita delações que apenas preencham lacunas identificadas em documentos em poder dos investigadores e não tem pressa para fechar uma parceria com criminosos confessos.

O diagnóstico tem como pano de fundo algumas considerações: evitar repetir erros da Operação Lava-Jato, que teve delações premiadas celebradas de baciada e que, em momentos seguintes, se mostraram frágeis, sem provas ou com poucas novidades; forçar que criminosos não se sintam à vontade para considerar que os escândalos do Master valeram a pena porque uma delação os livraria de longos anos atrás das grades; e pressionar para que valiosas informações que não estão em celulares e computadores apreendidos possam ser ofertadas nas tratativas de um acordo com a justiça.

Sob reserva, o advogado de um investigado que tenta delação premiada disse a VEJA que estava a mapear documentos guardados a sete chaves – e que não são de conhecimento dos investigadores – para rascunhar uma proposta de delação. O raciocínio neste caso é o seguinte: provas de repasses financeiros, destinatários secretos e o tradicional ‘follow the money’ não estariam armazenados em celulares já apreendidos, um erro que parte dos investigados se vangloria de não ter cometido.

A exceção é Daniel Vorcaro, cujos celulares se mostraram um verdadeiro achado para os rumos das investigações. Como se sabe, o banqueiro fazia rascunhos no bloco de notas antes de enviar mensagens sensíveis. Os textos, porém, foram recuperados e mostram, por exemplo, conversas do executivo com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no dia em que o primeiro foi preso, em novembro passado.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *