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Com mais de 5 milhões de exemplares vendidos, Megan Maxwell, 61 anos, é a principal expoente da literatura romântica-erótica em língua espanhola. Com mais de 50 títulos publicados, transitando entre o romance contemporâneo, o gênero erótico e o romance histórico, teve uma das suas obras, Peça-me o que quiser (ed. Planeta), adaptada aos cinemas e na plataforma HBO Max há dois anos. Megan conversou com a coluna GENTE sobre versões cinematográficas, mudança no comportamento das mulheres e sua opinião sobre pena de morte em casos de feminicídio.
Já encontrou resistência ou preconceito ao escrever sobre o desejo feminino? Assuntos relacionados ao desejo feminino? É claro que sim. Para mim, essas coisas me dão ainda mais vontade de lutar e enfrentar as pessoas que se colocam no meu caminho por causa dessa resistência. Veja, por exemplo, meu próximo livro é dedicado a mulheres maduras. Por muito tempo, se víssemos um homem de 50 ou 60 anos namorando uma mulher de 25, achávamos normal, mas se uma mulher namorasse alguém de 25 anos era como se estivesse matando alguém. Essas coisas precisam ser normalizadas no mundo, precisamos respeitá-las. O livro que está para ser lançado é que ele aborda esses preconceitos que as pessoas têm.
Ao longo da carreira, percebe uma mudança no perfil das suas leitoras — mais livres, mais exigentes, mais críticas? Com certeza. Quando comecei a publicar romances, há uns 15 ou 17 anos, as mulheres mudaram, eu inclusive. E é verdade que, talvez desde o lançamento de Pergunte-me o Que Você Quer, em 2012, até 2026, as mulheres mudaram muito e abriram bastante suas mentes. Acredito que as mulheres podem desfrutar do sexo da maneira que quiserem e como bem entenderem. E, acima de tudo, tornaram-se mais críticas na hora de dizer ‘não’.
Existe alguma diferença entre as mulheres brasileiras e espanholas quando leem seus livros? Todas nós buscamos as mesmas coisas, todas queremos ser felizes, ser nós mesmas. Por muitos anos, as asas das mulheres foram cortadas, por assim dizer, ou fomos impedidas de muitas coisas na vida que nós, aqui no século XXI, estamos agora reivindicando.
No Brasil, mesmo com situação mais positiva para as mulheres, o número de feminicídios está aumentando. Como entende esse movimento? Infelizmente, mulheres ainda morrem nas mãos de homens sexistas, homens que não aceitam isso. Acho isso horrível e acredito que todos precisamos nos unir para lutar contra isso. Quando ouço notícias de uma mulher que morreu pelas mãos do marido, namorado, isso me entristece profundamente. Acredito que pessoas que cometem tais atrocidades devem ser presas perpétuamente. E quando você tem absoluta certeza que uma pessoa matou a outra, não quando apenas suspeita, quando você sabe com certeza, sou a favor da pena de morte. Muitos dos meus amigos dizem que é uma opinião forte. Mas não, porque quando eles vão para a cadeia, sou eu quem tem que pagar por tudo, garantir que eles comam, que estudem. Na Espanha, além de tudo, eles têm a sorte de conseguir um diploma. Quer dizer, há pessoas que não têm condições de pagar um diploma, e eu financiei o curso de um homem desses.
Após a adaptação de Peça-me o que quiser, já imagina Nosso longo adeus ganhando uma versão para o cinema ou streaming? Para mim, seria um prazer, porque seria uma história muito bonita para contar, e acho que as pessoas realmente gostariam de assistir.
Depois da experiência com o cinema, você passou a escrever já pensando em possíveis adaptações ou prefere manter o foco exclusivamente na literatura? Bem, prefiro me concentrar na literatura, é isso que faço. Escrevo romances. Se escrever um roteiro e me pedirem, então escreverei um roteiro. Mas quando escrevo meus romances, sinto que continuo fazendo o que sempre fiz.
Sente que suas histórias se conectam de uma forma especial com os leitores no Brasil? Sinto que elas ressoam, que eles gostam delas, e o motivo é que, quando você lê, o que você quer é sonhar, experimentar outros mundos diferentes daquele em que você vive, sentir coisas que nunca sentiu antes.