
Após o presidente Lula (PT) pedir ao desembargador Ricardo Couto, governador em exercício do Rio, que prenda “os ladrões que governaram esse Estado e os deputados que fazem parte de uma milícia organizada”, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) divulgou uma nota classificando de “inaceitável” qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar a Casa e seu representantes. O presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), pré-candidato a governador, também reagiu com um vídeo nas redes mirando em Lula e no seu maior adversário no Rio, Eduardo Paes (PSD), que não estava no evento. “Lula desrespeitou nosso povo fazendo ataques generalizados. Lula e seu amigo Eduardo Paes não têm moral para dar lição ao Rio de Janeiro sobre combate ao crime organizado”, afirma Ruas na gravação, dizendo que Lula já chamou traficante de “vítima do usuário de drogas” e trata “o bandido como vítima da sociedade”.
Já a nota oficial da Alerj pede respeito “de todas as autoridades do país, inclusive do Presidente da República” e afirma que “o momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade” e não declarações “que estimulem divisão política ou prejulguem instituições”. Em agenda no sábado, 23, na Fiocruz, no Rio, Lula diz para Ricardo Couto: “Eu nunca tinha te visto, mas quando começou esse processo, de votação na Assembleia Legislativa, eu falei: ‘Se a Assembleia indicar, vai vir o mesmo. Ia vir um miliciano”.
Ruas, num cálculo do PL, pretendia assumir o governo interinamente e disputar a eleição indireta a governador após renúncia de Cláudio Castro (PL). Mas a linha sucessória acabou indo parar no Supremo Tribunal Federal (STF), e a decisão é de que, enquanto persistir o imbróglio sobre uma eleição antes de outubro, quem fica no poder é o desembargador.
A Alerj vive uma crise de imagem com a prisão de três deputados estaduais suspeitos de ligação com o crime organizado em menos de um ano pela Poícia Federal.
Confira a resposta do Legislativo às falas de Lula:
“A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro respeita as instituições da República e espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do Presidente da República.
É inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro. A ALERJ é uma instituição democrática, legítima e merece respeito.
O Rio de Janeiro enfrenta desafios históricos na segurança pública, muitos deles relacionados inclusive à ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país.
O momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade — e não declarações que estimulem divisão política ou prejulguem instituições.
Seguiremos trabalhando pelo fortalecimento da democracia, da segurança pública e da defesa da população do Estado do Rio de Janeiro”.